Governo Lula fica sem dinheiro para despesas de R$ 105 bilhões
Saúde e Educação são as áreas mais afetadas

Lula Foto: Evaristo Sa/AFP
A gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não terá verba suficiente para arcar com as despesas programadas pelo governo até o fim do ano. De acordo com o orçamento, ficará faltando R$ 105,5 bilhões e as pastas da Saúde e da Educação serão as mais afetadas pela falta de investimento.
Em 2026, somando todos os ministérios, o governo federal tem despesas não obrigatórias de R$ 330,9 bilhões. O valor inclui despesas referentes a este ano, que chegam a R$ 226,3 bilhões, e resíduos de dívidas de anos anteriores que ainda não foram quitadas, o equivalente a R$ 104 bilhões.
A fatura dos “restos a pagar”, despesas não quitadas e transferidas para o ano seguinte, virou um orçamento paralelo que pressiona as contas públicas. Esse efeito bola de neve faz os valores competirem com gastos correntes, saltando de R$ 310,8 bilhões em 2025 para R$ 391,6 bilhões em 2026.
Apesar da escalada bilionária, as iniciativas do governo para conter essa dinâmica fracassaram. Tentativas de revisar a Lei de Finanças Públicas, propostas para limitar os prazos de pagamentos e um projeto que tramita no Congresso desde 2009 não avançaram para frear o descontrole orçamentário.
Na prática, a contenção atinge serviços essenciais e trava R$ 44,9 bilhões em emendas. A Saúde lidera o impacto, com R$ 15,1 bilhões restritos, seguida pela Educação, com R$ 13,8 bilhões. Proporcionalmente, Esporte e Turismo sofrem mais, perdendo mais da metade de suas verbas anuais de repasse.
Mesmo com o cenário restritivo, o governo minimiza os possíveis danos. O Ministério do Planejamento defende que o escalonamento organiza as metas fiscais. Em nota, as pastas da Saúde, Educação e Esporte garantem que os serviços não estão ameaçados e apostam na realocação interna de recursos.
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