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Tok&Stok e Mobly: grupo registra prejuízo de R$ 232,7 milhões

Empresa em recuperação judicial registrou queda de 37,3% na receita líquida, para R$ 207,1 milhões; vendas brutas recuaram quase 32% no período


Reprodução Site Tok&Stok –
Tok&Stok Studio Cidade São Paulo

Grupo Toky, dono das marcas  Tok&Stok e Mobly, registrou prejuízo líquido de R$ 232,7 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 161,7% na comparação com o mesmo período no ano passado. Na época, a perda havia sido de R$ 88,9 milhões.

Segundo o balanço da companhia, que está em recuperação judicial, a receita líquida caiu 37,3% na comparação com o segundo trimestre de 2025 e ficou em R$ 207,1 milhões.

As vendas brutas, medidas pelo chamado GMV (sigla em inglês para volume bruto de mercadorias vendidas), somaram R$ 295,2 milhões. O valor representa uma queda de 31,9% na comparação anual.

Resultado do trimestre

Ebitda ajustado, indicador usado para mostrar o desempenho operacional da empresa, ficou negativo em R$ 7,6 milhões. No segundo trimestre de 2025, o resultado havia sido positivo em R$ 23,1 milhões.

A margem ficou em 52,1%, recuo de 1,6 ponto percentual em relação ao mesmo período em 2025. Segundo a companhia, a queda aconteceu principalmente por causa dos descontos oferecidos pela Mobly para tentar reduzir os impactos das rupturas de estoque nas vendas.

A empresa também registrou R$ 148,5 milhões em efeitos não recorrentes, como custos de reestruturação, multas pelo  fechamento de dez lojas deficitárias e ajustes em contas a receber do marketplace.

Com esses valores, o Ebitda contábil ficou negativo em R$ 156,2 milhões. Um ano antes, o indicador havia sido positivo em R$ 19,4 milhões.

Vendas e estoques

Segundo o Grupo Toky, o aumento de  cancelamentos fez com que uma parte das vendas não fosse convertida em receita reconhecida pela companhia.

O grupo também afirmou que o pedido de recuperação judicial afetou o abastecimento das lojas no curto prazo. A situação provocou rupturas de estoque, aumentou os prazos de entrega e contribuiu para o crescimento dos cancelamentos.

De acordo com a empresa, o fluxo de compras com fornecedores já começou a ser retomado e as rupturas de estoque diminuíram desde o pedido de recuperação judicial.

Recuperação judicial

Em maio deste ano, o grupo entrou com pedido de recuperação judicial, citando dívidas superiores a R$ 1 bilhão. O processo, de aproximadamente R$ 1,1 bilhão, foi aceito pela Justiça em junho e tramita em São Paulo sob segredo de justiça.

Mas o que é recuperação judicial?

É um processo usado por empresas que enfrentam dificuldades financeiras para tentar reorganizar suas dívidas e evitar a falência. Durante o processo, a companhia continua funcionando enquanto negocia com os credores uma forma de pagamento.

O pedido busca preservar as operações, manter os serviços e criar condições para renegociar as dívidas.

A companhia também afirmou que o setor de móveis e decoração passou por um cenário difícil, com juros altos, aumento do endividamento das famílias e crédito mais restrito. Segundo o grupo, esses fatores reduziram as vendas e pressionaram o caixa.

Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa afirmou que, apesar das negociações com credores para reestruturar as dívidas da Tok&Stok, o endividamento continuou aumentando.

Troca de comando

Ainda em maio, um dia após anunciar o pedido de recuperação judicial, o Grupo Toky também promoveu mudanças na diretoria executiva.

Victor Pereira Noda deixou a presidência da companhia, que passou a ser ocupada por André Ferreira Peixoto. Também houve mudanças nas diretorias financeira e de operações.

Os três executivos substituídos estão entre os fundadores da companhia e permaneceram no conselho de administração.

Segundo o grupo, as mudanças não alteram a estratégia de longo prazo nem os compromissos assumidos pela empresa.

O que mudou?

Durante a pandemia, o setor de móveis e decoração passou por um período de forte crescimento. Com mais tempo em casa, muitos consumidores aproveitaram para reformar os ambientes, comprar móveis e investir em conforto.

Com a reabertura da economia, porém, parte desse consumo voltou para viagens, lazer e serviços. Ao mesmo tempo, a inflação e os juros altos dificultaram as compras parceladas.

O cenário acabou sendo diferente para empresas que haviam expandido suas operações ou assumido dívidas esperando que o ritmo de crescimento continuasse.

No caso da Tok&Stok e da Mobly, as dificuldades aconteceram justamente durante mudanças importantes na estrutura das duas empresas e em um momento de desaceleração das vendas.

*Estagiária sob supervisão

IG

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