Policial

Polícia apura crime ambiental na morte de 10 toneladas de peixes no Açude Velho

A Delegacia de Crimes Ambientais abriu um inquérito para apurar as causas das mortes dos peixes do Açude Velho, principal cartão postal de Campina Grande. De domingo até ontem, cerca de 10 toneladas de peixes mortos foram retiradas do local e hoje de manhã uma grande quantidade já se acumulava às margens do Açude. A população reclama do odor insuportável e da coloração suja da água.

O delegado Renatto Júnior explicou que a hipótese averiguada é da incidência do previsto no artigo 54 de Lei de Crimes Ambientais, de poluição ambiental. Ele acrescentou que pediu auxílio ao Instituto de Polícia Científica e Sudema para atestar a causa das modificações na qualidade da água do Açude Velho.

O Ministério Público da Paraíba também acompanha o caso e informou que desde o ano passado instaurou procedimentos contra estabelecimentos comerciais que estariam despejando esgoto no açude.

No fim da manhã de ontem, a prefeitura de Campina Grande reuniu, por determinação do prefeito Bruno Cunha Lima, representantes das secretarias de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma), Obras (Secob), Planejamento (Seplan), Saúde e Educação para discutir as medidas emergenciais diante da mudança na coloração da água e da mortandade de peixes no Açude Velho. Como primeira ação, mais de 60 servidores da Sesuma foram mobilizados durante o fim de semana para a retirada dos peixes, além do início do processo de oxigenação da água e limpeza da lâmina superficial do reservatório.

De acordo com o secretário da Sesuma, Dorgival Vilar, as ações emergenciais seguem um protocolo técnico voltado para minimizar os impactos ambientais de forma imediata. “Nossa prioridade foi retirar os peixes, fazer a limpeza da área e iniciar a aeração da água, promovendo a movimentação necessária para melhorar a oxigenação do Açude Velho. Esse trabalho continua sendo intensificado”, afirmou.

A prefeitura alega que o fenômeno observado no Açude Velho está relacionado ao processo de eutrofização, caracterizado pelo excesso de nutrientes como nitrogênio e fósforo na água. Esse desequilíbrio favoreceria a proliferação de algas e micro-organismos que, ao se decompor, consomem grande parte do oxigênio dissolvido, provocando alterações na coloração da água, mau odor e, em situações mais críticas, a morte de peixes, especialmente em períodos de calor intenso e baixa circulação hídrica.

O secretário de Obras, Joab Machado, destacou que, além das ações imediatas, a gestão municipal trabalha em soluções estruturantes e definitivas para o Açude Velho. “Já estamos com estudos técnicos sendo feitos em parceria com a UFCG com recursos garantidos que proporcionarão a revitalização do açude. A proposta vai além das medidas emergenciais e busca uma solução definitiva, com uma grande obra que traga benefícios ambientais e urbanos para a cidade”, afirmou.

A Secretaria de Planejamento, por sua vez, em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), desenvolve há mais de um ano estudos para viabilizar a dragagem do reservatório, uma das etapas previstas para melhorar a qualidade da água e reduzir o acúmulo de sedimentos. O projeto de requalificação do Açude Velho também prevê melhorias nas calçadas, instalação de equipamentos urbanos, ações de acessibilidade e tratamento das águas, dentro de um planejamento estratégico conduzido pela Secob, com apoio da Sesuma, Seplan e outras pastas.

Imagens: Pedro PereirA

ParlamentoPB

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