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Jorge Aragão transforma Praça da Estação em roda gigante de samba

Ao entrar em cena, Jorge Aragão perguntou: “Preparados para cantar samba de velho? Então vamos cantar essa aqui”. E levou a multidão ao delírio com os versos de “Eu e você sempre”, que caiu na boca do povo como “Pé de vento”: “Se eu tivesse o dom de fugir pra qualquer lugar ia feito um pé de vento… Aí foi que o barraco desabou, nessa que meu barco se perdeu, nele está gravado só você e eu”.

Na noite com algumas estrelas no céu, depois da chuvarada da tarde, o público reagiu à provocação. “Sambas de velho, não! Sambas eternos. Aragão é Aragão, canta para todas as gerações”, disse o estudante de ciências econômicas, João Gabriel Pereira Lima, de 19 anos. Bem na frente do palco, o jovem sabia de cor as músicas apresentadas pelo artista e curtiu o show.

Perto dali, Aline Coelho, autônoma, entrou no embalo. “A praça virou uma roda de samba. Gosto do samba de raiz. E Aragão é assim. Está tudo ótimo”, disse ela, que curte a Virada Cultural pela primeira vez.

A expectativa da Prefeitura de Belo Horizonte, promotora da Virada Cultural, é de que o público deste ano supere a marca de 2025, que foi de 450 mil pessoas no fim de semana.

Cinquentenário

Considerado “lenda viva do samba”, Jorge Aragão celebra 50 anos de carreira. O carioca fez sucesso como parte do Grupo Fundo de Quintal e solidificou seu nome na carreira solo – são mais de 20 álbuns e projetos, com reconhecimento nacional e internacional. Admiradora da obra dele, Elza Soares (1930-2022), o destacou como “um dos maiores desse país”, “ícone da nossa música” e “genial”, a exemplo também de Alcione, Péricles e outros astros da música brasileira.

Compositor, letrista, músico e intérprete, Jorge Aragão construiu uma carreira que inspirou gerações e ainda se mantém presente e relevante no cenário atual. No ano passado, em plena comemoração do “cinquentenário”, marcou sua trajetória com o projeto “50 Anos de Poesia”. A iniciativa leva, ao Brasil inteiro, shows e exposições com entrada franca. Além disso, o projeto inclui oficinas e palestras para capacitar profissionais de música pelo Brasil.

Durante seus 50 anos de carreira, Aragão compôs e cantou muitos sucessos, entre eles “Eu e Você Sempre”, “Malandro” (que também é um grande hit na voz de Elza Soares), “Lucidez”, “Moleque Atrevido” e outras.

O Poeta foi o homenageado da quinta edição do “Sambabook”, que contou com novas versões de suas faixas na voz de Seu Jorge, Ivan Lins, Beth Carvalho, Diogo Nogueira, Zeca Pagodinho, Alcione, ElzaSoares, Luiz Melodia, Lenine, Maria Rita, Martinho da Vila, Baby do Brasil e Anitta.

Correio Braziliense 

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