Policial

Investigação da PF aponta que espiões russos conseguiram documentos brasileiros de forma legal


(Foto: Divulgação / Assessoria / PF)

O ministro da Justiça negou a existência de uma rede de espiões russos que usa o Brasil como base de operações. Mas uma investigação da Polícia Federal traz indícios de que vários cidadãos da Rússia conseguiram documentos brasileiros de forma legal.

A investigação identificou um homem que se passava como empresário de sucesso e dono de uma joalheria em Brasília. Ele usava o nome de Eric Lopes, mas a polícia descobriu que sua verdadeira identidade é Aleksandr Andreyevich Utekhin, apontado pela investigação como um espião russo.

A loja funcionava em um prédio no centro de Brasília. Funcionários que não quiseram se identificar afirmam e que o russo sempre falou que era brasileiro, apesar do “forte sotaque” e que a joalheria fechou “do dia para a noite”.

O suposto espião desapareceu do mapa, um caso que não é isolado. A Polícia Federal identificou uma suposta modelo brasileira, também investigada como espiã russa, se passando por estudante em Harvard, nos Estados Unidos.

Outra, era uma turista há mais de dois anos viajando pela Grécia. Na Holanda, um russo, com passaporte brasileiro, tinha passado em um estágio no Tribunal Penal Internacional “para se aprofundar sobre crimes de guerra na Ucrânia”.

A Polícia Federal identificou nove oficiais russos com identidades brasileiras, com apoio dos serviços de inteligência dos EUA, Israel, Holanda e Uruguai. Russos também com documentos brasileiros entraram na mira de autoridades em Portugal, Namíbia, Irlanda e Jordânia.

As embaixadas brasileiras em Haia e em Moscou foram acionadas para repassar documentos de Victor Muller Ferreira, um suposto brasileiro que teve a entrada negada na Holanda. Ele se dizia carioca. Mas se chamava Sergey Cherkasov.

Ele foi preso ao retornar ao Brasil, sob a acusação de falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. O governo russo pediu a extradição, negada pelo Supremo Tribunal federal. Após ameaças de facções criminosas, o russo foi transferido para a penitenciária federal de Brasília, onde segue detido.

“Existe um caso isolado que está sob responsabilidade do STF. Quando o judiciário decidir, o governo tomará a decisão correspondente à decisão da corte”, afirmou o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.

A CIA enviou informações para a Polícia Federal sobre o aumento de casos de russos com documentos brasileiros suspeitos de espionagem. O que chama a atenção é que não são falsificações: os passaportes são válidos, obtidos com certidão de nascimento, RG, CPF e até certificado de reservista das Forças Armadas.

Deixe um comentário

Botão Voltar ao topo