
Beckenbauer e Palhinha disputam bola no Mundial de 1976(foto: Arquivo/EM)
Campeão da Copa Libertadores de 1976, o Cruzeiro esteve muito perto de conquistar também o título mundial naquele ano. A equipe celeste enfrentou o poderoso Bayern de Munique, então base da seleção alemã campeã da Copa do Mundo de 1974, mas acabou superada na decisão da Copa Intercontinental.
Em entrevista exclusiva ao No Ataque, o ex-atacante Joãozinho apontou o principal fator que, em sua visão, impediu o Cruzeiro de levantar a taça: as condições climáticas enfrentadas na partida de ida, disputada sob forte neve em Munique.
Joãozinho aponta clima como fator decisivo
Na época, o Mundial era disputado em jogos de ida e volta. O primeiro duelo ocorreu em 23 de novembro de 1976, no Estádio Olímpico de Munique. Em um gramado completamente coberto de neve, o Bayern venceu por 2 a 0, com gols de Jupp Kapellmann e Gerd Müller, ambos já nos minutos finais da partida.
Para Joãozinho, o Cruzeiro conseguiu competir em igualdade durante boa parte do confronto, mas sofreu por não estar habituado às condições climáticas.
“Jogamos contra eles lá na Alemanha, na neve, perdemos e não fizemos feio. Perdemos na reta final. Não éramos acostumados a jogar nessas condições. Eles eram acostumados a jogar com chuva, condições ruins. Eles deram sorte que choveu por dois dias direto.”
Joãozinho, ídolo do Cruzeiro
“Lá nevou no dia do jogo. Se não neva, mesmo com a qualidade do time deles, poderíamos ter feito um jogo melhor. Éramos leves, muito rápidos e poderíamos ter vencido se fosse em condições normais.”

Cruzeiro criou mais dificuldades na Alemanha do que no Mineirão
Curiosamente, Joãozinho considera que o Cruzeiro conseguiu atuar melhor no confronto disputado em Munique do que na partida de volta, realizada diante de mais de 113 mil torcedores no Mineirão.
Segundo ele, o Bayern mudou completamente a postura em Belo Horizonte para administrar a vantagem construída no primeiro duelo.
“Jogamos melhor lá do que aqui. Aqui eles seguraram. Lá segurávamos eles e saíamos nos contra-ataques com Jairzinho, Palhinha e eu.”
O empate sem gols no Mineirão garantiu o primeiro título intercontinental da história do Bayern.

Bayern reunia base da campeã do mundo
Joãozinho também destacou o tamanho do desafio enfrentado pelo Cruzeiro. O Bayern mantinha praticamente a espinha dorsal da Alemanha Ocidental campeã da Copa do Mundo de 1974 e era considerado uma das equipes mais fortes do planeta.
“Acho que time nenhum do Brasil trouxe um time daquela qualidade. Era a base da seleção da Alemanha, com Sepp Maier, Beckenbauer, Rummenigge… Era um time fantástico.”
Joãozinho, ex-ponta do Cruzeiro
Além do trio citado por Joãozinho, os bávaros contavam com Gerd Müller – maior artilheiro da história da Copa do Mundo até então – Schwarzenbeck, Uli Hoeness e Kapellmann.
Do lado brasileiro, o Cruzeiro também reunia um elenco estrelado, com Raul, Nelinho, Piazza, Jairzinho, Dirceu Lopes, Palhinha, Joãozinho e o uruguaio Pablo Forlán.

Como foi a decisão do Mundial de 1976
O Cruzeiro chegou ao Mundial depois de conquistar a primeira Copa Libertadores da história do clube, ao derrotar o River Plate na decisão. Na Copa Intercontinental, porém, encontrou um adversário que dominava o futebol europeu.

Jogo de ida
Bayern de Munique 2 x 0 Cruzeiro
- Competição: Copa Intercontinental de 1976
- Data: 23 de novembro de 1976
- Local: Estádio Olímpico de Munique, Alemanha
- Público: 22 mil torcedores
- Árbitro: Luis Pestarino (Argentina)
Gols
- Kapellmann, aos 35 minutos do segundo tempo
- Gerd Müller, aos 37 minutos do segundo tempo
Jogo de volta
Cruzeiro 0 x 0 Bayern de Munique
- Competição: Copa Intercontinental de 1976
- Data: 21 de dezembro de 1976
- Local: Mineirão, Belo Horizonte
- Público pagante: 113.715 torcedores
- Renda: Cr$ 6.318.855
- Árbitro: Patrick Partridge (Inglaterra)
Cruzeiro
- Raul; Nelinho, Moraes, Ozires e Vanderley; Piazza (Eduardo Amorim), Zé Carlos, Palhinha e Dirceu Lopes (Pablo Forlán); Joãozinho e Jairzinho. Técnico: Zezé Moreira.
Bayern de Munique
- Sepp Maier; Andersson, Schwarzenbeck, Beckenbauer e Horsmann; Kapellmann, Torstensson, Weiss e Uli Hoeness; Gerd Müller e Rummenigge (Arbinger). Técnico: Dettmar Cramer.
Mesmo sem conquistar o título, aquela campanha consolidou o Cruzeiro entre as principais equipes do futebol mundial na década de 1970. Até hoje, a decisão contra o Bayern é lembrada como uma das maiores páginas da história do clube celeste.
Campanha histórica na Libertadores
Na Libertadores de 1976, a Raposa disputou 13 partidas, com 11 vitórias, um empate e apenas uma derrota, marcou 46 gols e sofreu 17. O título foi conquistado no desempate da final contra o River Plate, em Santiago, no Chile, quando Joãozinho marcou, aos 43 minutos do segundo tempo, o histórico gol da vitória por 3 a 2.
A cobrança de falta próxima à meia-lua seria executada por Nelinho. Enquanto o lateral-direito, especialista na bola parada, discutia com o capitão Piazza, Joãozinho correu para a bola, chutou por cima da barreira e anotou um golaço. A travessura rendeu o título continental e algumas broncas do técnico Zezé Moreira.
Antes disso, o time eliminou Internacional, Olimpia-PAR, Sportivo Luqueño-PAR, LDU-EQU e Alianza Lima-PER, consolidando uma das campanhas mais dominantes da história da competição.
Jogos do Cruzeiro na Libertadores de 1976
Primeira fase
- 07/03 – Cruzeiro 5 x 4 Internacional – Mineirão, Belo Horizonte
- 14/03 – Sportivo Luqueño 1 x 3 Cruzeiro – Defensores del Chaco, Assunção
- 18/03 – Olimpia 2 x 2 Cruzeiro – Defensores del Chaco, Assunção
- 24/03 – Cruzeiro 4 x 1 Sportivo Luqueño – Mineirão, Belo Horizonte
- 28/03 – Internacional 0 x 2 Cruzeiro – Beira-Rio, Porto Alegre
- 04/04 – Cruzeiro 4 x 1 Olimpia – Mineirão, Belo Horizonte
Semifinal
- 09/05 – LDU 1 x 3 Cruzeiro – Atahualpa, Quito
- 12/05 – Alianza Lima 0 x 4 Cruzeiro – El Mamute, Lima
- 20/05 – Cruzeiro 7 x 1 Alianza Lima – Mineirão, Belo Horizonte
- 30/05 – Cruzeiro 4 x 1 LDU – Mineirão, Belo Horizonte
Final
- 21/07 – Cruzeiro 4 x 1 River Plate – Mineirão, Belo Horizonte
- 28/07 – River Plate 2 x 1 Cruzeiro – Monumental de Núñez, Buenos Aires
- 30/07 – Cruzeiro 3 x 2 River Plate – Estádio Nacional, Santiago
Participações na campanha
- 13 jogos: Raul, Nelinho, Moraes e Eduardo
- 12 jogos: Vanderlei, Jairzinho e Joãozinho
- 11 jogos: Darci, Zé Carlos, Palhinha e Piazza
- 7 jogos: Isidoro
- 6 jogos: Roberto Batata e Ronaldo
- 5 jogos: Ozires
- 3 jogos: Valdo
- 2 jogos: Silva
- 1 jogo: Eli Mendes e Mariano
Artilheiros do Cruzeiro na Libertadores de 1976
- 13 gols: Palhinha
- 12 gols: Jairzinho
- 7 gols: Joãozinho
- 6 gols: Nelinho
- 3 gols: Eduardo
- 2 gols: Roberto Batata
- 1 gol: Darci, Ronaldo e Valdo
Joãozinho no Cruzeiro
Joãozinho é um dos maiores ídolos da história do Cruzeiro. O ex-ponta-esquerda disputou 485 partidas com a camisa celeste, marcou 119 gols e conquistou a Copa Libertadores de 1976, além de cinco Campeonatos Mineiros (1973, 1974, 1975, 1977 e 1984).
Conhecido como “Bailarino da Toca”, eternizou seu nome principalmente pela habilidade, pelos dribles e pelo gol que garantiu ao Cruzeiro o primeiro título da Libertadores.

Fonte: NoAtaque




