Política

Crise de Lula e Alcolumbre deixa diretoria do BC desfalcada há 5 meses

Diretoria do BC conta com dois diretores a menos há cerca de 5 meses; Lula não deu indício de que fará indicações nas próximas semanas

Imagem: Infomoney

Banco Central (BC) está com dois diretores a menos na composição, desde 31 de dezembro de 2025; apesar disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não qualquer sinalização de quem deve indicar para ocupar as duas posições.

A demora na indicação acontece em um cenário de desgaste político para o governo. No fim do mês passado, o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, foi rejeitado para vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma derrota sem precedentes para o Palácio do Planalto.

A crise pode ser atribuída a uma “queda de braços” entre Lula e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), pela indicação. Alcolumbre queria que Lula designasse o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga no STF, enquanto Lula afirmava que essa escolha é uma prerrogativa do presidente.

O resultado foi uma articulação do chefe do Senado que culminou na reprovação do nome de Messias.

Apesar disso, no começo desta semana, o Senado aprovou a indicação de Lula para presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Otto Lobo é um nome controverso e associado a algumas polêmicas envolvendo processos no órgão.

A sinalização é que a pauta econômica não deve estar envolvida no imbróglio político entre Congresso Nacional e governo.

Em entrevista à CNN Brasil, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que ainda não conversou com o presidente sobre as indicações, mas reforçou que acredita que o Congresso não está interessado em impactar a agenda econômica.

Além de coincidirem com esse cenário político, as indicações para o BC acontecem em um momento sensível para a autoridade monetária, logo após os escândalos envolvendo o Banco Master, que foram utilizados para atacar a integridade do banco.

Diretores do BC

As duas vagas para o BC são na diretoria de Organização do Sistema Financeiro e na diretoria de Política Econômica. Os antigos diretores foram indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Agora, com as indicações de Lula, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve ser composto inteiramente por nomes apontados pelo governo.

  • Gabriel Galípolo – presidente do Banco Central;
  • Ailton Aquino – diretor de Fiscalização;
  • Gilneu Vivan ​– diretor de Regulação​ e Organização do Sistema Financeiro​​;
  • Izabela Moreira Correa – diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta;
  • Nilton David ​​– diretor de Política Monetária​;
  • Paulo Picchetti – diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos​ e Diretor de Política Econômica;
  • Rodrigo Alves Teixeira ​​​– diretor de Administração​.

Os indicados ao BC precisam passar pela aprovação da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. Após Lula indicar um nome, é necessário que se marque a data da sabatina na CAE.

O processo geralmente leva de um a dois meses, já que os indicados precisam passar pelo famoso “beija-mãos”, período em que passam pelos gabinetes dos senadores em busca de apoio.

No entanto, por ser um ano eleitoral, é comum que parlamentares se afastem de Brasília para se dedicar às eleições, o que pode esvaziar a Casa Alta.

Existe ainda um baixo risco de que os senadores deixem a apreciação das indicações para depois das eleições — ou seja, em caso de derrota de Lula, o presidente eleito indicaria os novos nomes.

Até o momento, Lula ainda não deu indícios de quais nomes deve escolher para as cadeiras no Banco Central. Os dois nomes citados pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foram amplamente rejeitados pelo mercado financeiro e até por alguns parlamentares por terem postura mais “à esquer.

A indicação de Lula deve avaliar critérios técnicos e levar em consideração as opiniões de integrantes da Faria Lima, em um contexto no qual o Copom iniciou um ciclo de flexibilização monetária, levando a Selic a 14,50% na última reunião.

Além disso, o BC passa por um período conturbado de crise, com ataques ao sistema financeiro nacional e à independência da instituição. Indicações fortes de Lula podem ajudar a conter o momento de crise vivido pela autoridade monetária.

Entenda o que é o Copom

  • Comitê de Política Monetária é o órgão do Banco Central responsável por definir a taxa básica de juros da economia, a Selic.
  • O grupo usa a Selic para controlar a inflação: quando ela sobe demais, os juros aumentam; quando está baixa, há espaço para reduzir.
  • O Copom é formado pelo presidente do BC e pelos diretores da instituição, especializados em áreas como política econômica e regulação.
  • O colegiado se reúne a cada 45 dias para analisar dados da economia, como inflação, câmbio, atividade e cenário internacional, antes de votar a taxa.

Metrópoles 

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