Lula em discurso na ONU: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Veja vídeo
Discurso do presidente brasileiro abriu os trabalhos da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta terça-feira (22/9) a soberania brasileira e criticou ameaças de ingerências externas em processos eleitorais durante discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Sem mencionar os Estados Unidos, o petista disse que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”.
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Ao longo de cerca de 22 minutos, Lula falou sobre a crise no sistema multilateral, criticou a “paralisia” do Conselho de Segurança da ONU, defendeu a regulação das big techs e inteligência artificial e levantou bandeiras de campanha, a 12 dias da eleição brasileira.
Ao falar sobre riscos de intervenção em países da América Latina e Caribe, Lula afirmou que “diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para maior integração entre vizinhos”. “A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, ressaltou o presidente.
Candidato à reeleição, o petista afirmou que processo eleitoral brasileiro é “moderno e robusto” e rejeitou tentativas de ingerência no pleito. Ele também defendeu que, no próximo 4 de outubro, data do primeiro turno, os brasileiros escolherão entre a “democracia e negacionismo”.
“No dia quatro de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino. Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo. Vão decidir entre democracia e negacionismo. Se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão”, disse.
“Possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto. Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular”, completou.
Crítica às guerras e “paralisia” da ONU
O presidente brasileiro iniciou o discurso com uma crítica à incapacidade da ONU em resolver as guerras em curso. Ele mencionou os conflitos na Ucrânia e na Faixa de Gaza. Em um ponto da fala, chegou a mencionar diretamente o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e acusou o governo israelense de promover um “genocídio” contra palestinos.
“Todos sabemos que não haverá vencedores no campo de batalha. A diplomacia é a única opção. Iniciativas como o Grupo de Amigos da Paz, criado por Brasil e China, revelam que há forças na comunidade internacional dispostas a trabalhar pelo diálogo”, defendeu.
Ainda no campo de tensões externas, Lula citou crises na Venezuela, na Nicarágua, Haiti e Cuba.
Outra parte do discurso do presidente brasileiro foi voltada a questões internas. O petista mencionou ações do governo para combater o crime organizado, defendeu o fim da escala 6×1 e o combate à violência contra a mulher.
Sem mencionar a crise na Supremo Corte, Lula prometeu que “o combate à corrupção continuará implacável, doa a quem doer. Ninguém está acima da lei”. Outros assuntos abordados foram a soberania sobre a exploração de minerais críticos, a defesa do Pix e a regulação das big techs e da inteligência artificial.
A 81ª edição do encontro de líderes ocorre em momento de acirramento dos conflitos mundiais, com a ONU pressionada pela incapacidade de responder à crise no sistema multilateral. Nesse contexto, cresce a expectativa da comunidade internacional por reforma no Conselho de Segurança.
Desde a sua fundação, em 1945, o Conselho de Segurança da ONU é composto por cinco membros permanentes: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia. Outros 10 países ocupam mandatos rotativos pelo período de dois anos.
Durante a passagem por Nova York, o presidente Lula esteve com lideranças em reuniões bilaterais antes da abertura do encontro de chefes de Estado. Na segunda, o petista se encontrou com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o senador norte-americano Bernie Sanders.
Já nesta terça, pouco antes de discursar na tribuna, Lula se reuniu com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. Este ano marca o fim do mandato do diplomata português no comando da organização.
Após a fala de Lula, foi a vez do anfitrião, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursar na ONU. O republicano abordou a economia americana, a guerra no Irã e defendeu a presença militar na Groenlândia.
Além de Lula e Trump, participam do evento uma série de outros chefes de Estado, como o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e a presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez.
Metrópoles




