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Jovens são recrutados pela internet para matar por encomenda

Investigação mostra esquema que usa jogos e aplicativos para atrair adolescentes a cometer crimes em países europeus e também nos Estados Unidos


khalil bel/Unsplash –
Grupos criminosas recrutam adolescentes pela internet

Em meio ao crescimento da atividade criminosa na internet, autoridades da Europa alertam para o aumento do recrutamento de adolescentes  em  jogos online e aplicativos para cometer assassinatos, sequestros, ataques violentos, torturas e outros crimes graves. As informações são da ABC News.

Segundo a Agência de Polícia da União Europeia (Europol), o problema acontece em vários países e já levou à prisão de centenas de pessoas. As investigações ainda mostraram que, além da Europa,  esse tipo de crime já chegou até os  Estados Unidos.

Um dos casos que mais chamou a atenção das autoridades aconteceu em março de 2025, em Estocolmo, capital da Suécia. Rio Berg, um adolescente de apenas 16 anos, foi morto a tiros ao sair de uma academia com os amigos.

O autor dos disparos também tinha 16 anos e foi preso menos de uma hora depois de cometer o crime, perto do local, enquanto esperava um táxi que usaria para fugir. A arma usada no assassinato foi encontrada em sua jaqueta.

Investigadores dizem que adolescentes são atraídos por promessas de dinheiro
Vadim Bogulov/Unsplash

Investigadores dizem que adolescentes são atraídos por promessas de dinheiro

As investigações concluíram que Rio não era o alvo do ataque e que o criminoso confundiu quem seria a vítima. O adolescente responsável pelo crime foi condenado por  homicídio e recebeu pena de nove anos e meio de prisão.

Crimes por encomenda

A Europol afirma que organizações criminosas  têm recrutado  menores de idade para cometer crimes pagos por terceiros. As autoridades chamam esse modelo de atuação de “violência como serviço“.

Catherine De Bolle, ex-diretora executiva da agência, afirmou à ABC News que o crescimento da inteligência artificial, das novas tecnologias e o  uso constante da internet pelos jovens facilitaram a ação desses grupos.

Segundo De Bolle, o ambiente digital se tornou um espaço para que criminosos encontrem e atraiam adolescentes facilmente.

O investigador Andy Kraag, responsável pela equipe criada para combater esse tipo de crime, afirmou que o problema “está se espalhando como fogo em mata seca

A operação da Europol contra esse tipo de crime recebeu o nome de Força-Tarefa Grimm, uma referência aos contos dos Irmãos Grimm. A agência já chegou a fazer quase 300 prisões em 11 países, incluindo Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Islândia, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia e Reino Unido.

As investigações ainda encontraram mais de 15 mil  contas em plataformas digitais e identificaram mais de 1.500 pessoas ligadas aos crimes por encomenda.

Como acontece o recrutamento

Segundo a Europol, os crimes têm uma estrutura organizada que começa com uma pessoa que paga pela ação criminosa. Outra pessoa procura os jovens em aplicativos de  mensagens privadas e em jogos online. Já um terceiro fornece as armas que serão usadas pelos adolescentes. No fim, o  crime é feito por um jovem que muitas vezes nunca teve passagem pela polícia e nem sabe quem o contratou.

Os pagamentos mudam de acordo com o país e o tipo de missão. Na Suécia, as investigações encontraram ofertas que iam de três mil euros (cerca de R$ 17,6 mil) a 40 mil euros (aproximadamente R$ 235,7 mil). Valores parecidos também foram registrados na França.

Segundo a Europol, em muitos desses casos o dinheiro que é prometido nunca é pago, principalmente quando o adolescente é preso.

Kraag afirmou que esses jovens são vistos pelos criminosos como os “soldados perfeitos“, porque são convencidos de que a ação “não é muito diferente dos jogos que costumam jogar e acabam sendo atraídos para esse tipo de atividade“.

Além da Europa, as autoridades dos Estados Unidos afirmam que o mesmo modelo de crime por encomenda já foi visto no país.

John Cohen, ex-chefe da área de inteligência do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, confirmou à ABC News que o problema também está acontecendo em território estadunidense.

O FBI informou que investiga mais de 450 pessoas ligadas a esses grupos que atuam pela internet e que todos os escritórios da agência participam das investigações.

IG

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