Netanyahu discursa em plenário esvaziado da ONU
O primeiro-ministro chegou a Nova York sem encontros previstos com o presidente Donald Trump devendo retornar a Israel após pronunciamento

Reprodução/redes sociaiL – O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na Assembleia da ONU
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu , defendeu nesta quinta-feira (24) as ações de seu país na guerra em Gaza e no conflito com o Irã durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Enquanto ele falava, diplomatas deixaram o plenário em protesto contra a condução da guerra na Faixa de Gaza.
O discurso ocorreu em meio ao crescente isolamento internacional de Israel e a pouco mais de um mês das eleições gerais no país, marcadas para 27 de outubro.
Netanyahu chegou a Nova York sem encontros previstos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ou outros integrantes do governo americano, devendo retornar a Israel após o pronunciamento.
A saída dos delegados do plenário evidenciou a pressão internacional sobre o governo israelense. Netanyahu reagiu chamando os que deixaram a sessão de “covardes morais” e afirmou que Israel continuará defendendo o país.
Agradecimento a Trump
Durante o discurso, o primeiro-ministro voltou a mencionar os ataques do Hamas contra Israel em outubro de 2023, que deixaram cerca de 1.200 mortos e desencadearam a atual guerra. Também defendeu a ofensiva contra o Irã em termos de segurança nacional e agradeceu a Trump pelo apoio a Israel.
Netanyahu também atacou o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que havia feito críticas ao primeiro-ministro e defendido sua prisão caso ele visitasse a cidade.
Mamdani posteriormente reconheceu que não tinha autoridade legal para prendê-lo. Netanyahu acusou o prefeito de apoiar o Hamas e de incitar hostilidade contra judeus, acusações que Mamdani rejeita.
Em resposta, Mamdani afirmou que Netanyahu usou o discurso para repetir acusações que, segundo ele, buscariam encobrir a situação dos palestinos em Gaza. Também disse que o primeiro-ministro continua sendo alvo de um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Netanyahu rejeitou as acusações de genocídio contra Israel.
“Israel não cometeu genocídio. Israel impediu o genocídio”, afirmou.
Ele também criticou Catar e Turquia, acusando os dois países de disseminarem antissemitismo e informações falsas sobre Israel.
O primeiro-ministro utilizou ainda elementos visuais para reforçar sua mensagem. Durante o discurso, mostrou um pager semelhante aos dispositivos usados em uma operação israelense contra integrantes do Hezbollah em 2024 e exibiu um aparelho de internet via satélite Starlink, dirigido à delegação iraniana.
A pressão internacional sobre Israel aumentou desde o início da guerra em Gaza. Reino Unido, França e Canadá anunciaram, no início deste mês, sanções contra assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada.
Netanyahu criticou a decisão e acusou os governos europeus de cederem a pressões que classificou como antissemitas.
O primeiro-ministro também minimizou a violência praticada por colonos israelenses na Cisjordânia, atribuindo os episódios a um grupo restrito de jovens. Ao mesmo tempo, afirmou não tolerar ações de justiça pelas próprias mão.
A viagem a Nova York ocorreu em um momento delicado para Netanyahu também no cenário doméstico.
As eleições gerais estão previstas para 27 de outubro, e o primeiro-ministro enfrenta oposição política enquanto tenta manter sua coalizão no poder. O discurso na ONU foi transmitido em horário nobre pelos principais canais de televisão israelenses.
Antes da viagem, o gabinete de Netanyahu também anunciou a instalação de 500 outdoors pró-Israel e anti-Irã e de dezenas de caminhões com mensagens de apoio a Israel em Manhattan.
IG




