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Governo Lula busca diálogo com Trump para reverter novo tarifaço

Interlocutores do presidente Lula acreditam que ainda há espaço para reverter taxas de 25% propostas pelo USTR

Andrew Harnik/Getty Images

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda tem esperança de que o diálogo com a administração de Donald Trump possa resultar na não aplicação das tarifas a produtos brasileiros. Nessa semana, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) concluiu duas investigações comerciais contra o Brasil e sugeriu novas taxas ao país.

Embora as medidas tenham causado desconforto no governo Lula, interlocutores do Palácio do Planalto consultados pelo Metrópoles ainda veem espaço para negociar com a gestão de Donald Trump e reverter a taxação.

No curto prazo, o governo brasileiro espera que uma conversa do ministro Mauro Vieira com Jamieson Greer, chefe do USTR possa abrir caminhos para essa negociação. Há a expectativa ainda que conversas nas próximas semanas possa impedir que a taxas sejam efetivamente aplicadas.

Nessa semana, o USTR concluiu duas investigações contra o Brasil. Na primeira, o órgão prevê 25% de taxas a produtos brasileiros por práticas comerciais desleais; e a segunda, propõe 12,5% de taxas por uso do trabalho forçado na mão de obra brasileira. As investigações são baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.


O que está acontecendo

  • O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) concluiu duas investigações comerciais contra o Brasil e sugeriu novas taxas ao país.
  • Uma das investigações, que acusa o Brasil práticas comerciais desleais, sugere 25% de taxas a uma série de produtos brasileiros que forem importados pelos EUA. A segunda, que investiga trabalho forçado em diversos países, sugere 12,5% de taxa ao Brasil.
  • As taxas ainda não foram implementadas e o governo brasileiro acredita que pode reverter a aplicação dessas tarifas.
  • Neste sentido, a expectativa do governo Lula é de apostar no diálogo com o governo Donald Trump, em busca de alternativas para evitar a implementação de pelo menos uma das taxas.
  • Neste contexto, surge ainda a possibilidade de um novo encontro entre Lula e Trump, que participam da Cúpula do G7, em Paris, no final da próxima semana.

No alvo de duas investigações, a gestão Lula vê caminho para evitar a aplicação de pelo menos uma delas.

Interlocutores do Palácio do Planalto acreditam ser difícil reverter as taxas de 12,5%, que são justificadas pelo trabalho forçado. A avaliação é que essa investigação, que também atinge aliados dos Estados Unidos, foi “feita para não ser revertida“, em uma tentativa de contornar o tarifaço anunciado em 2025 e que foi considerado ilegal pela Suprema Corte dos Estados Unidos.

Neste sentido, interlocutores do presidente Lula acreditam que a fixação desta tarifa pode abrir margem para negociar a taxa mais alta, que prevê a aplicação de 25% em taxas para uma série de produtos brasileiros.

O governo também tem apostado alto no diálogo com a Casa Branca. Embora avaliem que os diversos os esclarecimentos e documentos entregues aos EUA não tenham sido levados em consideração para a conclusão das investigações, o Palácio do Planalto e o Itamaraty não pretendem desistir dos diálogos.

Nesta semana, Greer e Vieira tiveram um breve encontro em Paris e reconheceram que os diálogos entre as duas partes ainda estão abertos — e é neste canal que o governo aposta.

Governo está disposto a negociar

A gestão petista ainda vê uma janela para negociação pois as tarifas ainda não foram efetivamente aplicadas. Por serem uma sugestão do USTRas taxas ainda devem ser discutidas em audiências públicas e passar pelo aval de Donald Trump. O governo acredita ainda que as tarifas não devem ser aplicadas até o dia 15 de junho, prazo que os EUA deve terminar procedimentos internos para viabilizar as taxas.

Apesar do cenário adverso, integrantes do governo brasileiro dizem estar abertos a negociações e dispostos a discutir alternativas, desde que a iniciativa parta dos Estados Unidos. Nos bastidores, a avaliação é que a Casa Branca ainda não explicitou de forma clara o que busca, o que impede o Brasil de colocar propostas na mesa sem antes entender quais são as demandas americanas.

Por outro lado, o governo já externou que qualquer negociação envolvendo o Pix está fora de negociação.

Há ainda expectativa de que uma pressão de empresários do setor produtivo sobre os Estados Unidos, através de audiências e de interlocutores da Casa Branca, possam levar Donald Trump à mesa de negociação.

Outra possibilidade colocada na mesa trata de um novo encontro entre Lula e Trump. Os dois líderes estarão presentes na Cúpula do G7, que acontece em Paris, na França, no final da próxima semana.

Metrópoles 

 

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