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Entidades do setor produtivo criticam aprovação do fim da escala 6×1

CNI afirma que impactos econômicos da medida não foram devidamente mensurados; Abrasel classifica mudança como "tragédia econômica anunciada"

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende que o texto seja revisto para se adequar à realidade brasileira – (crédito: Miguel Ângelo/CNI)

Entidades do setor produtivo manifestaram preocupação com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende que o texto seja revisto para se adequar à realidade brasileira. “Lamentamos que a votação tenha sido feita sem mais debates com a sociedade brasileira e entendemos que os impactos dessa medida não foram devidamente mensurados”, afirmou o presidente da entidade, Ricardo Alban.

Na avaliação do setor industrial, a medida aprovada pelo Senado poderá provocar perdas econômicas, demissões, repasse de custos aos consumidores e aumento da inflação no país.

“Para a CNI, a mudança aprovada em pleno período eleitoral representa um retrocesso para o Brasil, que já sofre com baixa produtividade e falta de competitividade no mercado internacional”, declarou a confederação.

“Após a constatação, por exemplo, da perda de competitividade e da alta inflacionária, acreditamos que o Congresso Nacional possa abrir espaço para revisitar o tema, visando encontrar a melhor solução para a economia brasileira”, acrescentou Alban.

Já o presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, avalia que a aprovação pelo Senado da PEC que acaba com a escala 6×1 é uma tragédia socioeconômica anunciada e denunciada pela associação. “Ela terá impactos extraordinários na sociedade. Os primeiros serão percebidos tão logo ela comece a vigorar, por conta dos serviços essenciais”, afirma.

Segundo estimativas da entidade, cerca de 15 milhões de pessoas trabalham em escala 6×1 e, para que a oferta dos serviços seja mantida, o país precisaria de mais 3 milhões de trabalhadores. “Onde encontrar essa mão de obra? Certamente não há essa mão de obra sobrando. Vai ser um rouba-monte”, diz Solmucci.

Segundo ele, muitos bares e restaurantes vão fechar um dia adicional por semana, seja pelo aumento do custo, seja pela falta de mão de obra.

Hospitais também podem não conseguir manter as portas abertas todos os dias, como alertou Francisco Balestrin, representante dos hospitais e clínicas de São Paulo, em reunião na Fiesp. Balestrin defendeu uma legislação específica para o setor. “Nós vamos ver serviços essenciais diversos precarizados, e isso obviamente a sociedade vai sentir”, afirma Solmucci

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirmou que a mudança pode elevar a informalidade no mercado de trabalho. Segundo a entidade, os impactos também podem se estender ao orçamento das famílias brasileiras.

“Nossa posição sempre foi a de que um tema dessa magnitude exigia debate profundo e fora do calendário eleitoral, sem o risco de se tornar uma ‘PEC Boca de Urna’”, afirmou Paulo Skaf, presidente da federação.

“A PEC trará impactos no funcionamento de setores essenciais, como saúde, educação, transporte, supermercados e químico, que precisam ser medidos com responsabilidade e seriedade”, completou.

Correio Braziliense 

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