Em tom de campanha, mulher de Flávio o chama de “Bolsonaro moderado” e diz ter “reeducado” o marido
Pré-candidato ao Planalto tem apostado em discursos sobre pautas identitárias e acenos ao eleitorado feminino em busca de reduzir rejeição associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro
No vídeo, divulgado neste domingo, Flávio conta sobre como conheceu a esposa e mostra a rotina com as filhas, duas meninas. Sobre o marido, em tom de campanha, Fernanda também diz que “o povo brasileiro pode esperar um presidente com muita garra para lutar por esse país e por Justiça”.
Imagem moderada
A última divulgação da pesquisa Genial/Quaest, na semana passada, mostrou que c aiu a parcela dos brasileiros que veem Flávio como tão radical quanto seus familiares, apesar de ser uma mudança sutil. 45% avaliam que ele não é mais moderado que Jair e seus irmãos, uma queda em relação aos 48% registrados em março. Já a parcela que o vê como mais moderado subiu de 38% para 39%.
Logo após ser anunciado como o nome do PL ao Palácio do Planalto com aval do pai, em dezembro de 2025, Flávio afirmou ter os mesmos princípios que o ex-presidente, mas ressaltou que “nenhum ser humano é igual ao outro”. Àquela altura, o senador se classificou como um “Bolsonaro centrado” com “vários desentendimentos” com as opiniões do pai.
— Tenho os mesmos princípios, tenho o sangue Bolsonaro, mas nenhum ser humano é igual ao outro. Em vários momentos, ele tinha um entendimento, eu tinha outro. Ele não quis tomar vacina (contra a Covid), eu tomei duas doses — afirmou Flávio, em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo”. — Muita gente pedia: “Bolsonaro, você tem que ser mais moderado”. Sou eu. Bolsonaro mais moderado.
Pouco depois, no início de março, durante manifestação bolsonarista realizada na Avenida Paulista, Flávio direcionou parte de seu discurso para abordar a escalada nos casos de feminicídio no país e afirmou ser preciso fazer uma “defesa intransigente das mulheres”. Em sua declaração sobre o tema, ele novamente abordou a relação com a esposa e as filhas:
— Eu sou casado, pai de duas princesinhas, que são a razão do meu viver. E eu imagino a dor dessas famílias que tem uma mulher agredida ou assinada por um covarde. E a gente não vai mais tolerar isso neste país. As mulheres serão, de verdade, abraçadas e protegidas, sem hipocrisia — declarou o senador.
No mesmo mês, contudo, Flávio foi alvo de críticas da direita após votar a favor do projeto de lei que equipara a misoginia ao crime de racismo. O texto chegou a ser criticado pelo irmão de Flávio, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, no dia anterior à votação, mas foi aprovado por unanimidade no Senado. Parlamentares da oposição afirmaram que projeto “causa divisão” entre homens e mulheres e busca “corroer famílias”, e atribuíram a aprovação ao “medo de se opor” a pautas progressistas.
Como mostrou o GLOBO, na tentativa de se aproximar de pautas tradicionalmente associadas à esquerda e rechaçadas pelo bolsonarismo, Flávio chegou a utilizar o Dia Internacional da Mulher para criticar a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em outro momento, ele saiu em defesa do jogador brasileiro Vinicius Júnior, do Real Madrid e da Seleção Brasileira, alvo de ataques racistas na Espanha, mas voltou a ser criticado por apoiadores.





