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Ghislaine Maxwell, cúmplice de Jeffrey Epstein, deve usar direito de ‘permanecer em silêncio’ ao depor


Documentos do caso Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, em 2026. © AP

O depoimento de Maxwell ocorre após a publicação, em 30 de janeiro, de uma série de documentos do caso Epstein, que envolve várias personalidades mundiais. A data da audiência de foi anunciada em 21 de janeiro e vem sendo aguardada há meses. Seus advogados exigiram, sem sucesso, que o Congresso concedesse imunidade penal em troca do depoimento. Sem contrapartida, ela optou pelo silêncio, segundo seus advogados.

A audiência, dizem, “não tem outro propósito senão puro teatro político e desperdício de dinheiro dos contribuintes. A comissão não obterá depoimentos, nem respostas, nem novos fatos”, afirmam. Eles esperam obter a aceitação de novos recursos contra sua condenação em 2022 por exploração sexual.

O deputado democrata Ro Khanna publicou em seu site uma carta com as sete perguntas que pretende fazer a Ghislaine Maxwell, mesmo que ela se recuse a responder. “Você, ou Jeffrey Epstein, organizou, facilitou ou permitiu que o presidente Trump tivesse acesso a menores?”, exemplifica.

Outra questão aborda potenciais cúmplices do agressor sexual: “Por que você acha que eles não foram indiciados?”, diz Khanna. O democrata também espera descobrir “com quais governos estrangeiros ou serviços de inteligência, incluindo os associados à Rússia e a Israel, Jeffrey Epstein compartilhou informações e a mando de quem”.

A mesma comissão parlamentar convocou para depoimentos separados, no fim do mês, o ex-presidente democrata Bill Clinton e sua mulher, Hillary, ex-secretária de Estado, sobre a relação mantida por Clinton com Jeffrey Epstein. Eles exigiram, nesta semana, que as audiências fossem públicas, afirmando querer evitar a instrumentalização de suas falas pelos republicanos.

As “mais de três milhões de páginas” publicadas pelo Departamento de Justiça dos EUA em janeiro não contêm elementos novos que possam resultar em processos adicionais, segundo Todd Blanche, procurador-geral adjunto dos EUA e ex-advogado do presidente Donald Trump. Mas a simples menção de um nome já basta para gerar de situações de crise, como é o caso no Reino Unido.

Donald Trump e Melania Trump durante um evento em Mar‑a‑Lago, na Flórida, ao lado de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell, em fevereiro de 2000.
Donald Trump e Melania Trump durante um evento em Mar‑a‑Lago, na Flórida, ao lado de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell, em fevereiro de 2000. © Getty – Davidoff Studios Photography

Conversa com Todd Blanche

Todd Blanche, que também é ex-advogado pessoal de Donald Trump, chegou a ir à Flórida no fim de julho para interrogar Ghislaine Maxwell na prisão onde ela cumpria pena à época. Pouco depois, ela foi transferida para uma prisão com regime de segurança mais flexível no Texas, o que provocou indignação entre as vítimas e seus familiares.

Na transcrição dessa conversa com Blanche, publicada em agosto pelo Departamento de Justiça, Ghislaine Maxwell afirma não acreditar no suicídio de Jeffrey Epstein em uma prisão de Nova York em agosto de 2019, embora tenha evitado especular sobre a identidade do responsável pela morte de seu cúmplice e ex-companheiro.

Parte da população e personalidades da direita radical acreditam que o financista teria sido assassinado para impedir que envolvesse personalidades que teriam se beneficiado de sua rede de exploração de jovens no caso. A ex-namorada de Epstein também confirmou na conversa que ele não mantinha uma “lista de clientes” e não tinha conhecimento de “qualquer chantagem” contra “pessoas importantes”.

Com agências

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