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“A engrenagem parece feita para não dar certo”, diz Raniery Paulino ao defender mudanças no STF

O deputado federal Raniery Paulino (Republicanos) defendeu, na tarde desta quinta-feira (10), uma revisão do funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que o Brasil precisa discutir mecanismos para fortalecer a representatividade e estabelecer regras de conduta para os integrantes da Corte. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Arapuan Verdade.

Segundo Raniery, não deveria caber exclusivamente ao presidente do Senado Federal a decisão de pautar um eventual afastamento de ministro do STF. Para o parlamentar, o tema precisa ser discutido de forma mais ampla pelo Congresso Nacional.

“Ela tem que ser revista. Não pode hoje, por exemplo, ficar apenas na mão do presidente do Senado Federal pautar o afastamento de um ministro. A gente tem que refletir sobre isso, porque parece que a engrenagem é feita para não dar certo”, afirmou.

O deputado também defendeu a existência de um código de postura, ética e conduta para os ministros do Supremo. “Como é que não se tem um código de postura, de ética, de conduta do STF? Tem que ter. É normal, é natural que se tenha”, declarou.

“Político em extinção”

Durante a entrevista, Raniery também fez uma avaliação sobre o atual cenário político brasileiro e afirmou se considerar um “político em extinção”, em razão do seu estilo de atuação.

“Eu me considero um político em extinção. O meu estilo de fazer política está difícil, porque eu não grito. Eu argumento, você está vendo aqui, com muita racionalidade, com muito respeito, mas com argumentação.”

O parlamentar criticou ainda a polarização política e a transformação da atividade pública em uma espécie de “balcão de negócios”. Segundo ele, o debate político deveria estar concentrado em propostas e causas, e não em ataques entre adversários.

Raniery também defendeu uma discussão sobre a metodologia de distribuição e utilização das emendas parlamentares e afirmou que não pretende adotar uma postura de confronto permanente no exercício do mandato.

“Postura não está em partido”

Para reforçar sua posição, o deputado citou dois episódios em que votou pela manutenção da prisão de parlamentares de campos políticos distintos.

Ele mencionou o caso da ex-deputada estadual paraibana Estela Bezerra, presa no âmbito da Operação Calvário, e o do deputado federal Chiquinho Brazão, acusado de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco. Raniery afirmou ter votado pela manutenção das duas prisões.

“Um da esquerda, o outro da direita. Postura não está em partido. Ou você tem, ou você não tem.”

Na avaliação do deputado, critérios éticos devem ser aplicados independentemente da posição ideológica ou partidária do parlamentar.

Para ilustrar o argumento, Raniery recorreu ao futebol e afirmou ser torcedor do Flamengo, mas disse não nutrir ódio pelo Vasco. Em seguida, citou Zico e Bruno, ex-goleiro do Flamengo condenado pelo assassinato de Eliza Samudio, para fazer uma comparação com a escolha de candidatos nas eleições.

Crítica à política das redes sociais

Raniery também criticou o que considera uma valorização excessiva da exposição nas redes sociais em detrimento do conteúdo político. O deputado ironizou a própria dificuldade em produzir vídeos com dancinhas para as redes.

“Eu não sei dançar. Estou lascado em tudo. Minha dancinha sai muito mal no vídeo.”

Segundo ele, existem candidatos que priorizam conteúdos de entretenimento, mas não apresentam propostas ou argumentos capazes de sustentar a atuação política.

O parlamentar defendeu que o eleitor avalie o histórico dos candidatos antes de decidir o voto. Raniery afirmou que pretende utilizar justamente esse critério durante sua campanha à reeleição para a Câmara dos Deputados.

“Eu sou candidato a deputado federal, reeleição. Meu estilo de fazer pedido de voto hoje é inclusive assim: não voto em quem é corrupto, em quem tem envolvimento em corrupção. Não voto em quem está gritando e não resolve nada.”

“Um contrato de prestação de serviços”

Ao falar sobre sua candidatura, Raniery comparou o voto a um contrato entre eleitor e parlamentar. Para ele, enquanto alguns candidatos estabelecem uma relação baseada em interesses imediatos, sua proposta seria a de prestar um serviço público durante os quatro anos de mandato.

“Hoje nós estamos fazendo na eleição um contrato. Uns estão fazendo contrato de compra e venda, o meu contrato é de prestação de serviços. Quatro anos com dignidade representando a Paraíba. Esse é o meu contrato.”

Ao final, o deputado voltou a defender uma discussão mais ampla sobre o funcionamento das instituições brasileiras e afirmou que a atual situação do STF faz parte de um problema maior.

“Respondendo essa questão do STF, a gente tem que fazer uma reflexão muito mais profunda do que hoje está essa crise de representatividade que o Brasil vivencia.”

PB Agora

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