Paraíba

Mídia nacional destaca que partidos de centro e centro-direita se unem a esquerda em apoio à reeleição de Hugo no comando da Câmara

Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Reportagem desta terça-feira (20), do Jornal de Brasília, trouxe que partidos de centro e centro-direita intensificaram nas últimas semanas as articulações para manter o deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) na presidência da Câmara e preservar o controle do grupo sobre a agenda de votações no Legislativo.  Segundo a reportagem o intuito é manter a autonomia do Legislativo em relação ao Executivo, sobretudo no cenário em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seja eleito presidente.

Como mostrou o Estadão, o PL elegeu 121 deputados federais. O avanço da sigla comandada por Valdemar Costa Neto se deu em meio ao encolhimento de legendas do Centrão e de outras siglas que se identificam como de centro, caso do MDB e PSD. O recuo global chegou a quase 30 assentos – de 284 passou para 257.

Integrantes do Centrão avaliam que o resultado das urnas reforça a necessidade de união das legendas para conter o avanço do bolsonarismo no Legislativo. A intenção é atuar como uma espécie de “poder moderador”, independentemente de quem vencer a disputa presidencial. Uma eventual vitória de Flávio, porém, é vista com mais atenção, já que o PL será a maior força do Congresso.

Segundo a reportagem, o primeiro movimento para viabilizar a reeleição de Motta ocorreu na semana passada, quando o deputado federal reeleito Antonio Brito (PSD-BA), líder do PSD na Câmara, comunicou ao presidente da Casa que não pretende disputar o cargo. A decisão abriu caminho para que o partido apoiasse a recondução de Motta.

A legenda de Gilberto Kassab é vista como a fiel da balança na disputa. Em 2024, Brito lançou sua candidatura à presidência da Câmara, mas desistiu em favor de Motta. Havia dúvidas sobre a possibilidade de ele voltar a concorrer no próximo ano, já que o PSD não declarou apoio a nenhum dos candidatos à Presidência e o deputado transita tanto entre governistas quanto entre bolsonaristas. Uma nova candidatura poderia representar uma pedra no caminho de Motta.

Com a sinalização de Brito, Motta se reuniu com Kassab e com a bancada do PSD e fez gestos para contemplar os interesses da legenda, como a promessa de colocar em discussão mudanças no sistema eleitoral. Com o apoio do PSD encaminhado, Motta reuniu, na última quarta-feira, 14, representantes do Centrão para discutir os próximos passos da articulação. O bloco tem 271 deputados e reúne União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos e a federação PSDB-Cidadania. Após o encontro, os partidos divulgaram uma nota anunciando a manutenção do bloco e manifestando apoio à recondução de Motta.

Segundo um dirigente ouvido pela reportagem, a permanência de Motta no cargo é vista como forma de garantir a “autonomia do Parlamento”, independentemente de quem vencer a eleição presidencial. No encontro, afirma a fonte, os líderes e presidentes de partidos defenderam o fortalecimento das legendas de centro para assegurar o controle da agenda do País e evitar que ela fique nas mãos dos “extremos”.

No almoço com os dirigentes, Marcos Pereira reiterou seu apoio a Motta. Mesmo outros líderes de partidos entendem que o atual presidente da Câmara é considerado o nome mais viável por estar sentado na cadeira e dispor de mais instrumentos para articular sua própria reeleição.

Para conseguir a recondução, correligionários de Motta apostam em uma estratégia semelhante à adotada por Arthur Lira (PP-AL) em sua reeleição. Na ocasião, ele reuniu o apoio dos partidos do centro e do PL, colocando o recém-eleito governo Lula diante do dilema de comprar uma briga com o Legislativo ou aderir à sua candidatura e garantir governabilidade.

PT deve apoiar Motta

A intenção agora, segundo um líder partidário, é repetir Lira e atrair o PT e os demais partidos de esquerda para a aliança em torno de Motta. “O que a gente pretende é fechar apoio do Centrão ao Hugo e trazer o PT”, disse, reservadamente. Na avaliação dele, caso Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial, terá de decidir se quer iniciar o mandato em confronto com o Legislativo.

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirma que o apoio do partido à reeleição de Motta é, de fato, uma possibilidade, sobretudo porque o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), pretende disputar o comando da Casa.

“Vamos, evidentemente, esperar o resultado eleitoral (para decidir), mas já está se lançando candidato – inclusive me comunicou isso – o (deputado) Sóstenes Cavalcante, do PL. Nada contra ele, mas, por ser do PL, tem uma posição muito distinta da nossa. Em especial se o presidente Lula ganhar as eleições, não temos tranquilidade com um deputado do PL (na presidência da Câmara). Então, é possível, sim, que haja uma aproximação entre o PT e os membros dos demais partidos de centro. Uma composição com o Motta é uma das hipóteses colocadas pelo PT que vai ser analisada.”

Procurado, Sóstenes disse que o partido não vai discutir a eleição para o comando do Legislativo antes do segundo turno. “Não temos clima e ambiente para discutir esse assunto antes do dia 25. Só temos um foco agora: eleger Flávio Bolsonaro.

PBAgora

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