10 anos após o golpe, PT faz campanha para reeleger quem o traiu

Dez anos depois do golpe de Estado que derrubou Dilma Rousseff, o Partido dos Trabalhadores (PT) apoia nas eleições de 2026 10 políticos que votaram pela cassação da presidenta petista. Eles disputam governos estaduais ou vagas no Senado em chapas apoiadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A lista mostra até onde chegou a política de frente ampla do PT. Deputados e senadores que ajudaram a retirar Dilma do governo, entregaram a Presidência a Michel Temer e abriram caminho para a ofensiva contra Lula foram incorporados ao campo governista depois de se afastarem do bolsonarismo.
Simone Tebet é um dos exemplos mais claros. Senadora pelo MDB de Mato Grosso do Sul em 2016, votou pela cassação de Dilma e, durante o julgamento, atacou a política fiscal do governo. Falou em “consequências nefastas” e declarou votar contra “todo o mal que ela causou e está causando à população brasileira”.
Em 2022, Tebet concorreu à Presidência pelo MDB, apoiou Lula no segundo turno e depois assumiu o Ministério do Planejamento. Agora filiada ao PSB, disputa o Senado por São Paulo com apoio de Lula.
Renan Calheiros (MDB), que presidia o Senado durante o golpe, também votou pela cassação. Apesar de não fazer parte da ala do MDB que dirigiu diretamente a operação pelo impeachment, deu seu voto para retirar Dilma da Presidência. Hoje tenta renovar o mandato de senador por Alagoas na chapa apoiada por Lula.
No Rio de Janeiro, Pedro Paulo (PSD) disputa o Senado ao lado da petista Benedita da Silva. Em 2016, quando estava no MDB, votou pela cassação. Era o mesmo partido de Michel Temer e de Eduardo Cunha, então presidente da Câmara e um dos principais articuladores parlamentares do golpe.
Golpistas dentro do próprio PT
Eliziane Gama e Expedito Netto foram ainda mais longe na aproximação. Ambos votaram pelo impeachment como deputados federais e hoje estão filiados ao PT. Gama tenta renovar seu mandato no Senado pelo Maranhão, enquanto Expedito disputa o governo de Rondônia.
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Diário da Causa Operária DCO




