Quais produtos ficam de fora da taxação de 25% proposta pelos EUA ao Brasil
Estados Unidos acusam o Brasil de práticas "irrazoáveis e oneram ou restringem o comércio" norte-americano

O governo dos Estados Unidos apresentou um documento, na noite de segunda-feira (1/6), que propõe tarifas de 25% a produtos brasileiros. No entanto, as medidas ainda não foram definidas e serão discutidas ao longo das próximas semanas. Alguns produtos, como carne bovina, café, terras raras, outros metais e peças de aeronaves, estão excluídos da possível nova tarifa.
A proposta dos EUA faz parte da investigação comercial iniciada contra o Brasil em julho do ano passado. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos afirmou que certos atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais desleais; aplicação de medidas anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal são “irrazoáveis e oneram ou restringem o comércio dos EUA”.
“Iniciei esta investigação ao abrigo da Secção 301 a pedido do Presidente Trump para abordar preocupações antigas e generalizadas dos EUA relativamente a certas políticas e práticas comerciais do Brasil. Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas”, pontuou o embaixador Jamieson Greer.
Greer também destacou que aguarda “com expectativa a continuação do diálogo com o Governo brasileiro, antes do prazo legal de 15 de julho de 2026 para a tomada de medidas corretivas.” O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) realizará uma audiência sobre a ação proposta em 6 de julho de 2026.
Sobre o comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, o governo dos Estados Unidos alega que “tribunais brasileiros emitiram ordens secretas determinando que empresas americanas de mídia social removessem determinados conteúdos políticos e suspendessem os perfis de residentes nos EUA, às vezes globalmente, além de proibir que as plataformas divulgassem essas ordens aos proprietários dos perfis”.
“Os tribunais brasileiros também responsabilizaram financeiramente as empresas americanas de mídia social pelo descumprimento dessas ordens, impondo multas significativas; restringindo seu acesso a ativos, contas e sistemas de processamento de pagamentos no Brasil; e, em pelo menos um caso, fechando um site por completo. O Brasil também tem prejudicado injustamente empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem sua principal concorrente”, acrescenta o governo norte-americano.
Até a publicação desta reportagem, o governo brasileiro ainda não havia se manifestado sobre a proposta dos Estados Unidos.
Correio Braziliense




