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Deficit dos Correios supera R$ 3 bilhões no primeiro trimestre

Prejuízo representa alta de 83,02% em relação ao observado no mesmo período do ano passado, quando houve um deficit de R$ 1,725 bilhão

Plano apresentado pela empresa prevê superavit apenas em 2027 – (crédito: Divulgação/Correios)

Os Correios registraram resultado líquido negativo de R$ 3,158 bilhões nos três primeiros meses de 2026, conforme balanço publicado ontem pela estatal. O prejuízo representa alta de 83,02% em relação ao observado no mesmo período do ano anterior, quando houve um deficit de R$ 1,725 bilhão.

As despesas gerais e administrativas, bem como as despesas financeiras, foram os fatores que impulsionaram o saldo negativo no primeiro trimestre.

Foram gastos R$ 2,26 bilhões na conta que engloba, por exemplo, custo com pessoal e contratação de serviços advocatícios. Um fator de forte pressão foi o demonstrativo das contingências, já que a estatal está envolvida em processos judiciais de natureza trabalhista, cível e fiscal. O total do primeiro trimestre de 2025, referente às despesas gerais e administrativas, foi de R$ 1,22 bilhão.

Em outra frente, as despesas financeiras passaram de R$ 282,9 milhões para R$ 985 milhões, no mesmo período de comparação. Elas foram puxadas especialmente por encargos do financiamento da dívida interna, como juros e IOF. Houve reconhecimento de juros e multas de tributos incidentes sobre impostos de importação no período de 2025 e no primeiro trimestre de 2026.

Em 2025, o rombo total dos Correios somou R$ 8,5 bilhões, a pior marca da história da empresa, e a expectativa, no momento, é de que 2026 supere o recorde. A estatal espera, contudo, atingir um superavit em 2027.

Os Correios enfrentam dificuldades e perda de receitas desde o avanço de grandes companhias de logística e vendas, como a gigante americana Amazon, e pela queda da demanda pelos serviços postais tradicionais, como o envio de cartas.

De acordo com o balanço, nos três primeiros meses do ano foram arrecadados R$ 2,2 bilhões em encomendas (queda de 5,5% em relação ao mesmo período de 2025), R$ 156 milhões em postagens internacionais (-60,3%), R$ 1,2 bilhão em cartas e documentos ( 11,4%), e R$ 465 milhões em outras receitas ( 48%).

Plano de recuperação

Para viabilizar a liquidez no curto prazo, os Correios anunciaram em novembro passado uma operação de crédito com aporte de até R$ 20 bilhões. O Tesouro Nacional aprovou um empréstimo inferior, de até R$ 12 bilhões, aos Correios. Uma capitalização adicional de até R$ 8 bilhões segue em tratativa.

O plano inclui, em seus eixos principais, o corte de despesas administrativas e de pessoal — incluindo um Programa de Demissão Voluntária (PDV) — otimização de ativos, como venda de imóveis, e a captação de recursos.

De acordo com a estatal, desde janeiro, 3.181 funcionários dos Correios aderiram ao PDV, o que representa mais de 30% do contingente elegível.

Já sobre os imóveis, a empresa afirma que possui 138 construções ociosas que serão arrematadas em leilões, com retorno esperado de mais de R$ 13 milhões.

Apesar disso, o plano apresentado pela estatal é alvo de questionamentos. Na semana passada, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu dar ciência ao governo federal sobre a possível violação de dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) com a ausência de verificação “própria e independente” das premissas financeiras que embasaram o plano de reestruturação dos Correios.

Também foi comunicado que houve insuficiência da análise sobre a capacidade de pagamento da estatal para fins de concessão de garantia da União e operação de crédito no valor de R$ 12 bilhões.

Segundo a Corte de Contas, esse segundo ponto “afronta” o dispositivo que trata da capacidade de pagamento de empresas estatais em operações de crédito, previsto no decreto 11.907/2024.

O TCU também alertou o Poder Executivo Federal que há ampliação “da exposição” da União com a ausência de avaliação externa sobre as premissas de receitas, despesas e fluxos de caixa que fundamentam os planos de equilíbrio econômico-financeiro de estatais.

(Com informações da Agência Estado)

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