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Violência contra a mulher cresce e atinge também a saúde mental


Imagem; Reprodução

A violência contra a mulher segue em crescimento no Brasil e no mundo e, na maioria dos casos, acontece dentro de casa, longe dos olhos da sociedade. Dados recentes mostram que o risco vai além do feminicídio e inclui impactos psicológicos profundos, que levam milhares de mulheres ao limite emocional.

Segundo levantamentos internacionais, a violência praticada por parceiros íntimos é hoje o quarto maior fator de risco para morte prematura e invalidez de mulheres entre 15 e 49 anos em todo o mundo. Apenas em 2023, cerca de 145 mil mulheres com 15 anos ou mais morreram em decorrência da violência sofrida dentro de relacionamentos.

Violência psicológica e crimes sem marcas aparentes

Além das agressões físicas, a violência psicológica tem ganhado espaço e deixado marcas profundas. No Brasil, 88% das mulheres relatam já ter sofrido algum tipo de agressão psicológica ao longo da vida, segundo pesquisas nacionais.

Grande parte desses episódios acontece na presença de crianças. A maior Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher aponta que 71% das agressões são testemunhadas por alguém, muitas vezes pelos próprios filhos da vítima.

A delegada Emanuele Maria Siqueira explica que muitas mulheres ainda não reconhecem determinadas condutas como crime.

“Nós temos cinco tipos de violência: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. As ameaças, as perseguições e os xingamentos são violências que não deixam marcas aparentes, mas são crime e precisam ser registrados. A mulher deve procurar um órgão da rede de proteção para fazer a denúncia”, afirma a delegada.

Medo ainda impede a denúncia

Mesmo diante da violência, o medo segue como um dos maiores obstáculos para romper o ciclo de agressões. Apenas três em cada dez mulheres procuram ajuda formal quando são agredidas. Em muitos casos, a denúncia só ocorre quando a situação chega a um nível considerado insuportável.

Medidas protetivas e canais de apoio

Quando a mulher decide denunciar, ela pode solicitar medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha. Essas medidas incluem o afastamento imediato do agressor, a proibição de contato e, em alguns casos, proteção policial.

Para orientar e acolher as vítimas, o serviço Ligue 180 funciona 24 horas por dia, de forma gratuita e sigilosa. O canal completa 20 anos e já realizou mais de 16 milhões de atendimentos em todo o país.

Somente nos dez primeiros meses deste ano, as ligações para o 180 aumentaram 33%. O crescimento revela não apenas o aumento da violência, mas também mais mulheres buscando apoio e denunciando.

Especialistas reforçam que denunciar pode salvar vidas, não apenas das vítimas, mas também das crianças que convivem diariamente com a violência doméstica. O silêncio protege o agressor. A informação e o acolhimento são passos fundamentais para romper o ciclo.

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