A suspensão brasileira das importações de carne suína da Alemanha não tem viés ideológico, sendo algo comum e baseado em critérios sanitários, disse especialista em agronegócio à Sputnik Brasil.

Na segunda-feira (14), o Ministério da Agricultura suspendeu a importação de carne de porco processada da Alemanha, após confirmação de um caso de peste suína africana em um javali morto.

Por meio de um comunicado enviado à nação europeia, o ministério pede informações detalhadas às autoridades sanitárias alemãs sobre medidas de biossegurança adotadas em plantas industriais do país. A pasta não informou por quanto tempo vale a medida.

Segundo José Luiz Tejon, professor da FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), a decisão brasileira não é uma espécie de retaliação às críticas que o governo alemão tem feito à política ambiental brasileira e ao desmatamento na Amazônia.

“É uma decisão normal e natural, tomada por vários países quando acontece qualquer centelha, qualquer ponto que pode sugerir uma infestação. Nesse caso, ocorreu com um javali, e pelo que temos informação não atingiu nenhum criatório de suínos. Mas é uma atitude tomada por todos”, disse e especialista.

‘Não tem a ver com retaliação’

Para Tejon, as negociações para a ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia são naturalmente complicadas por razões políticas, mas, no caso específico da suspensão das importações, a questão não pode ser associada a alguma “retaliação”.

“É um procedimento normal e não tem nada a ver com nenhum tipo de retaliação política ou ideológica de nenhum sentido”, disse o professor.

Além disso, Tejon explica que as preocupações sanitárias e com o bem estar dos animais estão cada vez mais em voga. Por isso, restrições momentâneas à compra de produtos é algo corriqueiro no comércio internacional, podendo ocorrer, por exemplo, no caminho inverso, com outros países suspendendo importações do Brasil.

China e Coreia do Sul também suspendem importações

A China e a Coreia do Sul também suspenderam temporariamente a aquisição de carne suína da Alemanha. A contaminação foi confirmada pelo governo alemão no dia 10 de setembro, em um um javali morto nas proximidades da fronteira com a Polônia.

“Dá para ver como está o mundo hoje. Qualquer coisa que pode estar ensejando riscos à saúde animal ou vegetal e as medidas internacionais são extremamente severas”, afirmou o especialista. “O que a gente vê é o foco planetário sobre qualquer risco que envolva a segurança dos alimentos e a saudabilidade dos mesmos”, acrescentou.

Brasil ‘importa basicamente tripas’

Embora a Alemanha seja o maior produtor de proteína animal da Europa, Tejon diz que as importações brasileiras de carne suína do país são ínfimas e não vão afetar a balança comercial alemã. Por outro lado, a suspensão decretada pela China tem um maior peso para o país europeu.

“O que o Brasil importa da Alemanha são basicamente tripas e em uma quantidade muito pequena. No ano passado, foram cerca de 3.000 toneladas [de janeiro a agosto desse ano, 1,8 mil toneladas]. O importante mesmo para a Alemanha é a China, que significa 14% de todas as exportações da Alemanha. Portanto, a Alemanha deverá ter por um tempo, creio que curto, algum problema de colocação de produtos no mercado internacional”, explicou José Luiz Tejon.

Sputnik

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