Com observadores internacionais da Rússia, Irã, China e até da Coreia do Norte, a Venezuela realiza neste domingo (6) eleições para escolher 277 deputados. AP – Matias Delacroix

Com observadores internacionais da Rússia, Irã, China e até da Coreia do Norte, a Venezuela realiza neste domingo (6) a eleição para escolher 277 deputados. Os novos parlamentares devem consolidar o governo de Nicolás Maduro no poder. O índice de abstenções deve ser alto, já que esta votação não é uma prioridade para o povo, que enfrenta graves problemas diários como falta de gasolina, água, energia e gás doméstico, além da hiperinflação que mina o poder de compra.

Elianah Jorge, correspondente da RFI na Venezuela

Cerca de 29 mil mesas eleitorais foram instaladas em diversas cidades do país para que mais de 5 milhões de venezuelanos possam votar. No entanto, de acordo com a Datanálisis, a abstenção deve girar em torno de 10% a 20% neste país onde o voto é opcional. A empresa de pesquisas também divulgou que nove entre dez venezuelanos afirmam viver com sentimentos negativos, como tristeza, raiva e preocupação.

Esta eleição deve tirar da jogada o opositor Juan Guaidó, que em 2019 se autoproclamou presidente interino. O novo parlamento, que irá vigorar de 5 de janeiro de 2021 a 2026, deve estabelecer a dinastia de Nicolás Maduro no poder pela eleição de seu filho, Nicolás Maduro Guerra, e de sua esposa, Cília Flores.

Nicolás Maduro garantiu que a Assembleia Nacional “intervencionista” estará vigente até o início do próximo ano. Com essa declaração, ele afirma que serão os apoiadores de sua linha de governo que irão ganhar a votação. O presidente assegurou que a “Venezuela dará ao mundo uma lição de democracia e participação” com este pleito.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) recebeu como observadores internacionais representantes da Rússia, China, Irã, Coreia do Norte, Turquia, Brasil e Cuba, que irão circular pelos centros de votação de todo o país.

Para demonstrar seu apoio ao governo de Maduro, estão no país atualmente Rafael Correa, ex-presidente do Equador, e Evo Morales. Esta é a segunda vez do ex-presidente da Bolívia na Venezuela em um curto espaço de tempo.

Denúncias de fraude

Opositores e membros da comunidade internacional alegam que este processo eleitoral é uma “fraude”. Os governos da Espanha e do Equador anunciaram que não irão reconhecer o resultado das eleições parlamentares. Um documento assinado por mil juristas de 40 países caracteriza esta votação como “nulidade radical”. E o Episcopado Católico afirma que o pleito vai agravar a situação do país.

Para Juan Guaidó, o objetivo desta votação é aniquilar a oposição. Ele, que nos próximos dias vai promover uma consulta popular, pediu que o povo ficasse em casa neste domingo. Pelas redes sociais venezuelanas circulam campanhas pedindo que as pessoas não saiam para votar.

Críticos ao governo de Maduro afirmam que, após esta eleição, o governo chavista dará início a uma caçada aos opositores que irá conduzi-los ao exílio, à clandestinidade ou à prisão. Guaidó, no entanto, garantiu que ficará na Venezuela.

Covid-19

Com a flexibilização total do lockdown durante o mês de dezembro, a Venezuela registrou nas últimas horas 300 novos casos da Covid-19. A vice-presidente do país, Delcy Rodríguez, afirma que a curva de contágio foi totalmente aplanada.

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