Le président vénézuélien Nicolas Maduro, lors d’une conférence de presse après avoir voté pour les législatives à Caracas, le 6 décembre 2020
 © Fausto Torrealba, REUTERS

A União Europeia e os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (7) que não reconhecerão os resultados das eleições legislativas venezuelanas. No domingo, uma votação com grande abstenção e falta de eletricidade em algumas áreas do país deu vitória ao chavismo, garantindo a Nicolás Maduro a maioria na Assembleia Nacional, após cinco anos de um parlamento opositor.

O resultado, no entanto, não é aceito por boa parte da comunidade internacional, que considera que a oposição não pôde participar da eleição e reclama da falta de observadores internacionais durante a votação.

O chefe de relações exteriores do bloco europeu, Josep Borrell, disse nesta segunda-feira que a votação não cumpriu com “padrões internacionais mínimos” e que “não pode reconhecer este processo eleitoral como legítimo, inclusivo ou transparente”.

O Reino Unido também anunciou que não “reconhecerá a legitimidade” do novo Congresso venezuelano, de acordo como o ministro de Relações Exteriores, Dominic Raab.

“Continuamos a reconhecer Juan Guaidó como presidente da Assembleia Nacional e como presidente constitucional interino da Venezuela”, disse o chanceler britânico em uma mensagem no Twitter.

O mesmo discurso é mantido pelos Estados Unidos, que pressionam a Venezuela para que Nicolás Maduro deixe o poder. Em um comunicado, Mike Pompeo fez uma convocação: “A comunidade internacional não pode permitir que Maduro, que está no poder de maneira ilegitima porque roubou as eleições de 2018, se beneficie de uma segunda eleição roubada”.

O país norte-americano também reconhece Guaidó como líder do país e qualificou como “falsa” a eleição desse domingo.

O Grupo de Lima, criado em 2017 para promover uma transição de poder na Venezuela, afirmou que os comícios aconteceram “sem garantias mínimas de um processo democrático, de liberdade, de segurança e transparência, de integridade dos votos, de participação de todas as forças políticas e nem de observação internacional”.

A declaração do Grupo de Lima foi assinada por Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Santa Lúcia. Todos esses países reconhecem Guaidó como presidente interino da Venezuela.

Abstenção de 69%

Analistas afirmam que a abstenção no país foi de 69%. O fenômeno foi registrado após uma campanha feita por partidos de oposição, como o de Guaidó, pedindo à população que não participasse de uma eleição fraudulenta.

O índice também é reflexo da decepção que os venezuelanos sentem em relação ao governo chavista. A Venezuela está em hiperinflação e a população, cada vez mais empobrecida.

No interior do país, houve denúncias de compra de votos. De acordo com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa, jornalistas que faziam a cobertura eleitoral sofreram agressões.

Enquanto as eleições sofriam críticas internacionais, Nicolás Maduro publicou ao longo do dia em suas redes sociais diferentes mensagens celebrando o resultado das eleições de domingo e sublinhando o caráter democrático da decisão.

“Os venezuelanos e as venezuelanas participamos de uma jornada eleitoral histórica, de fortalecimento profundo das instituições democráticas do país, especialmente de resgate da Assembleia Nacional através do voto soberano de nosso Povo. Venceu a Venezuela!”, publicou.

(Com informações da AFP)

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