Boris Johnson enfrenta uma nova crise política após reconhecer que sabia das acusações de assédio contra Chris Pincher quando nomeou o deputado como vice-líder da bancada conservadora no Parlamento. 
REUTERS – JONATHAN ERNST

Após a renúncia dos ministros da Saúde e das Finanças, dois outros ministros do Reino Unido e um alto funcionário anunciaram nesta quarta-feira (6) que estão abandonando o governo de Boris Johnson. As novas saídas elevam a treze o número de renúncias desde ontem, os políticos conservadores afirmam terem perdido a confiança no primeiro-ministro.

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Mais uma vez, Boris Johnson luta por sua sobrevivência política. Seu governo está cada vez mais enfraquecido, treze ministros e secretários de Estado deixaram seus postos desde terça-feira.

Após a demissão quase simultânea de Rishi Sunak, à frente do ministério das Finanças, e de Sajid Javid, da Saúde, nesta quarta Will Quince pediu demissão do ministério da Infância e da Família, Robin Walker deixou o posto de responsável pelos padrões escolares, e Laura Trott abandonou seu cargo de chefia no Ministério dos Transportes.

Os conservadores afirmam ter perdido a confiança no primeiro-ministro, após Johnson ter pedido desculpas públicas na terça-feira (5) pela nomeação de Chris Pincher, um acusado de assédio sexual, como vice-líder da bancada conservadora no Parlamento.

O governo de Boris Johnson insistia não ter conhecimento das acusações quando Pincher foi nomeado, mas após a divulgação de que ele tinha informações sobre os casos de assédio desde 2019, o primeiro-ministro foi obrigado a pedir desculpas e reconhecer “o erro”.

Enfraquecido mas determinado a manter seu governo, Boris Johnson defenderá sua posição no Parlamento durante a sessão semanal de perguntas ao primeiro-ministro, que acontece nesta tarde.

Momento economicamente difícil

A demissão de Rishi Sunak da pasta de Finanças acontece em um momento econômico particularmente difícil no Reino Unido, em meio a uma crise devido ao aumento do custo de vida que causa protestos.

A inflação está em seu nível mais alto dos últimos quarenta anos. Em maio, a taxa chegou a 9,1% em doze meses.

Em sua carta de renúncia, o ex-ministro de Finanças afirmou que o povo britânico espera que o governo se conduza de maneira “competente” e “séria”. Por considerar que esse não é o comportamento do governo Johnson, Sunak disse que era por isso que se demitia.

A nova crise agrava a situação de um governo já enfraquecido por uma série de escândalos ao longo dos últimos anos. Johnson perdeu apoio após a denúncia da organização de festas em Downing Street durante a pandemia. No início de junho, seu próprio partido pediu um voto de confiança contra Johnson, mas o primeiro-ministro conseguiu vencer a votação e se manter no cargo.

No jornal Telegraph, o ex-secretário de Brexit, David Frost, que deixou o governo em dezembro, pediu a Johnson que se demitisse para “não levar o partido e o governo com ele”.

Uma pesquisa do YouGov publicada ontem à noite aponta que 69% dos eleitores britânicos acreditam que Boris Johnson deveria se demitir.

(Com informações da AFP)

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