Um trader, morador de São Paulo, é acusado de estelionato por um grupo de aproximadamente 180 investidores. Segundo as vítimas, Rodrigo Lyra, 26 anos, postou nas redes sociais que estava dobrando, mediante operações na Bolsa de Valores, o valor que cada um enviasse a ele, por meio do pix.

Foram depositadas quantias que variavam de R$ 500 a R$ 35 mil. O grupo, entretanto, não recebeu os lucros ou o ressarcimento das transferências. Boletins de ocorrência foram registrados e o caso é investigado pela Polícia Civil dos estados do Amazonas, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.

Uma das vítimas relatou à coluna que só depois de fazer o depósito descobriu que não receberia o dinheiro. “Ele passou temporadas em Paris e Aspen ostentando. Em nenhum momento detalha sobre as operações, simplesmente fica postando vários traders ganhando dinheiro se dizendo o melhor do Brasil. Quando fui perguntar do meu dinheiro, ele disse que perdeu e não me mandou nada de comprovação sobre as negociações na bolsa”, afirmou o homem que pediu para não ser identificado.

Veja fotos do empresário acusado de aplicar golpes:

A ação de duplicar os rendimentos, segundo as fontes ouvidas pela reportagem, foi uma espécie de oferta de Natal. “Ele anunciou que seria o papai Noel e que iria dobrar os valores sem cobrar nada por isso. A partir daí, a ação viralizou e muitos passaram a fazer depósitos”, disse um dos investidores.

Uma mulher acabou ficando em situação delicada ao investir R$ 1,5 mil referente à matrícula dos filhos na escola. “O Lyra começou a mandar a mesma mensagem para todo mundo dizendo que não conseguiu dobrar a banca porque o mercado não ajudou e estava com muita zica, impossível de prever, lamentou e desejou que Deus nos desse em dobro. Enquanto isso, ele posta que segue faturando, andando de Porsche, cantando, viajando, e enrolando outras pessoas”, desabafou.

O grupo informou que um dos prejudicados transferiu R$ 2 mil, que seria para uma cirurgia no coração da mãe, e não teve qualquer retorno.

Com 109 mil seguidores no Instagram, a página de Lyra é repleta de fotos de viagens e vídeos em que ele ostenta itens de luxo como: relógios, bolsas e carros avaliados em mais de R$ 1 milhão. Por meio das redes sociais, o empresário chegou a afirmar que a empresa dele foi divulgada em um dos telões da Times Square, principal avenida de Nova York.

“Apenas em um grupo que montamos, contamos com cerca de 30 pessoas. O próprio advogado dele nos informou que havia mais de 200 pessoas na mesma situação. O prejuízo pode ser ainda maior do que imaginamos. Sabemos que se trata de um investimento de risco, mas o nosso questionamento é: cadê a prova de que ele perdeu o nosso dinheiro? Diariamente, ele posta falando que ganha. Na hora de operar o nosso dinheiro ele perde? Isso é estelionato”, questionou outra vítima.

O outro lado

A coluna entrou em contato com a defesa e com o próprio trader por meio do celular. Rodrigo Lyra negou qualquer prática irregular e diz que os investimentos são de alto risco.

“Estou ciente das denúncias e ocorrências. Resolvi fazer isso para alavancar o engajamento do perfil e ajudar as pessoas. Não cobrei nada e também não imaginei que teria tanta procura. Foram cerda de 200 pessoas, totalizando um investimento de aproximadamente R$ 250 mil. Eu também decidi dobrar a banca de forma gratuita porque constantemente recebo pedidos de ajuda para ajudar a pagar escola, de gente em situação difíceis. Foi uma forma de ajudar”, defendeu-se.

Ele também se diz vítima de quem não “aceita seu sucesso”. “Acontece que, após eu anunciar a ação, viajei para Paris e minha conta no Instagram caiu. Concorrentes não aceitaram que eu fizesse as operações de graça e se juntaram para acabar com o meu perfil. Portanto, fiquei incomunicável, deixando algumas pessoas na dúvida se era golpe ou não. Alguns estão se aproveitando para sujar o meu nome”, contou.

Ele ainda admitiu ter fracassado nas operações, mas negou ter aplicado um golpe. “Antes de cair o meu Instagram, eu consegui dobrar a banca para muita gente. Porém, é impossível ter 100% de sucesso. Dessa forma, 20% dos casos não deram certo. Eu avisei a todos e apresentei os devidos comprovantes das operações. As pessoas que perderam o dinheiro sabiam do riscos. Nesse negócio, não há garantia, até porque eu não obriguei ninguém a me dar dinheiro. Como o serviço foi de graça, aí que não há como garantir reembolso mesmo. O que eu comuniquei a eles é que, nos casos em que eu ainda não operei, basta solicitar que eu devolvo o dinheiro. Agora, nas operações que não deram certo, não tem como.”

Metrópoles 

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