A tendência interna do PT “Resistência Socialista” emitiu uma nota pública recomendando o voto nulo no segundo turno em João Pessoa. A eleição na capital da Paraíba é disputada por Cicero Lucena (PP) e Nilvan Ferreira (MDB). Já o grupo interno do PT tem como lideranças o ex-deputado federal Luiz Couto, o ex-prefeito de Serra Branca, Zizo Mamede, o ex-secretário de Agricultura do Governo, Marenilson Batista, o médico Marcos Bosquiero e o advogado Antônio Barbosa, além do vice-presidente estadual do PT da Paraíba, José Trajano, dentre outros.

Na nota, os integrantes da tendência petista dizem que “os candidatos em disputa pela prefeitura de João Pessoa e seus patrocinadores políticos e econômicos não se identificam com a promoção da justiça social e dos direitos humanos fundamentais. Ao longo de suas histórias políticas e administrações, nunca se comprometeram com pautas como o direito universal à saúde, a manutenção e melhoria do SUS, a reforma agrária e a construção de cidades para as pessoas. Explicitam que vão administrar a cidade para ricos e rentistas, da mesma forma como vem ocorrendo nas outras esferas do poder público”.

Confira a íntegra do documento:

Nota Pública da Resistência Socialista – PT – 24/11/2020
Em defesa do “voto nulo” no segundo turno em João Pessoa-PB

O populismo da direita brasileira pretendia nas eleições em curso conquistar supremacia política no nosso país. Tal projeto autoritário foi derrotado no primeiro turno, na maior parte do território pátrio, desgastado por políticas entreguistas do patrimônio nacional, privatista de setores estratégicos para nossa soberania, subalterna aos interesses do rentismo, sobretudo norte-americanos e de corporações transnacionais.

Com a implantação do negacionismo científico como política de Estado, se comportam como genocidas do nosso povo, inimigos das diversidades, impondo crescente violência contra as populações periféricas e a destruição do meio ambiente, pela forma de enfrentamento da Covid-19 e por ausência de formulação e planejamento para o cenário de pós-pandemia. Quadro agravado pelo crescente desemprego, enfraquecimento das relações trabalhistas, retirada de direitos e consequente precarização dos postos de trabalho.

No cenário internacional, a derrota de Donald Trump, supostamente, o “principal aliado” do governo brasileiro no exterior, tende a isolar cada vez mais o Brasil da comunidade das nações. Anulando os esforços empreendidos nas últimas décadas para construção do multilateralismo, ao desconsiderar que, para além dos países, vivemos num só planeta.

Esta conjuntura somada a queda de popularidade do governo Bolsonaro torna o segundo turno das eleições de 2020 que acontece em importantes cidades do nosso país crucial para os partidos e movimentos sociais que atuam no campo da cidadania. O grande desfio é impedir a tentativa da direita populista de garantir nos próximos anos a sustentabilidade na política institucional. Infelizmente, em João Pessoa, os partidos do campo progressista não foram capazes de construir a necessária unidade. Em parte pelo desejo de alguns em perpetuarem-se nas burocracias partidárias e nos governos.

As candidaturas da direita que alcançaram o segundo turno da disputa em nossa cidade, além de darem suporte a desastrosa administração federal, representam grupos que administram a Paraíba há décadas, acumulando denúncias de corrupção, além de resultados sofríveis na solução dos reais problemas do nosso povo. Os candidatos em disputa pela prefeitura de João Pessoa e seus patrocinadores políticos e econômicos não se identificando com a promoção da justiça social e dos direitos humanos fundamentais.

Ao longo de suas histórias políticas e administrações, nunca se comprometeram com pautas como o direito universal à saúde, a manutenção e melhoria do SUS, a reforma agrária e a construção de cidades para as pessoas. Explicitam que vão administrar a cidade para ricos e rentistas, da mesma forma como vem ocorrendo nas outras esferas do poder público.

O voto confere ao cidadão o poder de influir nos assuntos de Estado. O voto nulo representa uma manifestação da vontade eleitoral. Nas circunstâncias do nosso município, uma vontade condenatória. Pois é por seu intermédio que o cidadão expressará sua condenação às limitações do pleito. O voto nulo será a expressão de nosso protesto. Quanto maior for o número de votos nulos, brancos e abstenções, maior será a demonstração da rejeição aos dois candidatos em disputa. No primeiro turno da corrente eleição o “não voto” alcançou 32,54% do eleitorado (Fonte: TSE). Quanto maior este número, maior será a demonstração de que as duas candidaturas colocadas não representam os interesses da cidadania e da classe trabalhadora.

Em coerência com sua trajetória política e pelo compromisso com os trabalhadores e trabalhadoras da nossa cidade, a Resistência Socialista, tendência interna do Partido dos Trabalhadores, torna pública a decisão de não apoiar as candidaturas apresentadas para o segundo turno das eleições municipais de João Pessoa. Rejeitando e se opondo aos dois projetos colocados na disputa, que não representam as demandas da cidadania.

Orienta que seus membros e simpatizantes adotem o voto nulo como alternativa de posicionamento político. Conclama os partidos políticos do campo da cidadania e os movimentos de base social a se unirem entorno da formulação de novas estratégias eleitorais e de um projeto de reconstrução de políticas públicas inclusivas, valorização das diversidades, proteção do meio ambiente no estado da Paraíba.

Somos e seremos oposição ao extermínio. Tanto ao locutor que propagandeia quanto ao grupo da várzea associado à especulação imobiliária, que o executam!

Viva a população periférica e oprimida! Viva João Pedro Teixeira! Viva Margarida Maria Alves!

Em 29/11/2020, a Resistência Socialista de João Pessoa VOTA NULO!

ParlamentoPB

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