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Políticos apostam na reversão da liquidação do Banco Master

Parlamentares e empresários aliados de Daniel Vorcaro creem que a inspeção do TCU no BC pode abrir caminho para reverter a venda do Banco Master


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Daniel Vorcaro

O clima nos corredores do poder em Brasília mistura expectativa e tensão. Empresários e políticos próximos a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, demonstram otimismo e acreditam que o Tribunal de Contas da União (TCU) pode suspender a liquidação extrajudicial da instituição até fevereiro, justamente durante o período em que a Corte permanece em recesso.

Nos bastidores, aliados chegam a adotar um tom mais descontraído, fazendo brincadeiras sobre o cenário interno do tribunal. Em conversas reservadas, circulam comentários irônicos sobre um suposto ambiente favorável a uma reversão do processo, sinalizando confiança no desfecho que esperam.

A inspeção no Banco Central como marco inicial

O ponto que alimenta essa expectativa é a inspeção no Banco Central (BC) determinada pelo ministro do TCU Jhonatan de Jesus. Para o grupo alinhado a Vorcaro, o movimento é visto como o primeiro passo para questionar os fundamentos que levaram à liquidação do banco.

O despacho que autoriza formalmente a inspeção deve ser publicado ainda nesta semana. Técnicos do TCU estão programados para ir à sede do BC e examinar documentos sigilosos do Banco Master, que não constaram na nota técnica enviada pelo órgão regulador em 30 de dezembro. Esse material só pode ser consultado em um ambiente seguro, o que exige análise presencial.

A nota técnica foi uma resposta a um pedido feito por Jhonatan em 18 de dezembro, no qual o ministro solicitou explicações formais sobre os fundamentos da liquidação extrajudicial do Banco Master.

O outro lado do balcão: oposição ferrenha

Se o otimismo tem voz ativa em um lado do tribunal, do outro, a resistência é dura. Uma ala do TCU é radicalmente contrária à suspensão da liquidação e prepara desde já uma reação institucional caso haja uma decisão monocrática favorável ao banco durante o recesso.

O argumento desse grupo se baseia em um diagnóstico direto: a liquidação foi desencadeada por uma crise de liquidez crônica e por fraudes identificadas pela área de fiscalização do BC. A leitura é inequívoca, na visão desses técnicos e ministros, o Banco Master está quebrado e não haveria base sólida para suspender o processo.

A estratégia já está desenhada: caso uma liminar seja concedida no recesso, esse grupo pretende exigir a convocação de uma reunião extraordinária do colegiado do TCU, mesmo fora do calendário oficial, para cassar a eventual decisão e restabelecer o rito regular do processo.

Mercado reage e questiona competência do TCU no tema

O caso não repercute apenas dentro do tribunal. Ex-presidentes e diretores do Banco Central, hoje atuando no mercado, classificam como inusitada e preocupante a entrada do TCU em ações voltadas à revisão da liquidação do Banco Master.

Para esses especialistas, o BC deve, sim, ser fiscalizado, mas por instâncias tecnicamente competentes. Na avaliação predominante entre eles, embora o TCU tenha papel central na fiscalização da administração pública, não seria a arena adequada para reavaliar atos regulatórios e decisões prudenciais do Banco Central, prerrogativa que, por desenho institucional, pertence a outros mecanismos de controle e governança do sistema financeiro.

Um enredo que ainda terá capítulos decisivos

Entre confiança e oposição, o caso Banco Master expõe uma disputa de narrativas, interpretações legais e articulações de bastidores em um período sensível do calendário do TCU. Enquanto aliados apostam no recesso como janela de oportunidade, a ala contrária se organiza para blindar o processo contra interferências fora do colegiado.

Independentemente do desfecho, o episódio já deixa um recado claro: o debate sobre quem fiscaliza o fiscalizador importa, mas o como e por quais vias esse controle é exercido pode ser ainda mais determinante do que o próprio resultado.

IG

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