Governo liberal da Romênia cai após moção de censura no Parlamento
 AP – Vadim Ghirda

O governo romeno do primeiro-ministro liberal Florin Citu caiu nesta terça-feira (5) após uma moção de censura aprovada pelo Parlamento. A decisão ameaça a estabilidade política do país europeu, que enfrenta a quarta onda de Covid-19.

Florin Citu, ex-executivo do setor bancário de 49 anos, estava no cargo desde as eleições de dezembro de 2020. Ele passou se alvo de duras críticas tanto da direita quanto da esquerda nos últimos meses.

O premiê foi destituído por uma larga maioria. Segundo o resultado oficial, a moção foi aprovada por 281 votos, uma margem muito superior aos 234 necessários.

Em uma aliança incomum, os deputados do USR (partido de centro-direita que chegou a integrar a coalizão de governo), do Partido Social-Democrata (PSD, oposição) e do partido de extrema-direita AUR votaram de maneira unânime para derrubar o governo.

Os liberais (PNL, no poder) boicotaram a votação e denunciaram uma ação “irresponsável” dos três partidos. “O que vão ganhar levando o país ao caos?”, perguntou o primeiro-ministro no início da sessão parlamentar, se dirigindo aos partidos que apresentaram a moção.

Depois de afirmar que o próximo Executivo continuaria a ser formado baseado “em valores liberais”, Florin Citu abandonou o Parlamento sem aguardar o resultado da votação.

Quarta onda de Covid-19

A Romênia enfrenta a quarta onda de Covid-19, a pior desde o início da pandemia. O país é o novo foco do coronavírus na União Europeia, e registra recordes diários de contaminações e mortes. No último sábado (2), 12.590 pessoas foram contaminadas e 166 morreram.

A campanha de vacinação no país de 19 milhões de habitantes é uma das mais lentas da UE. Apenas 29% dos romenos foram vacinados até agora. Para piorar a situação, o sistema hospitalar está sucateado. Vários médicos comparam a situação nos estabelecimentos a “condições de guerra”.

Florin Citu continuará a assegurar interinamente o governo do país até que o presidente Klaus Iohannis, de centro-direita, indique um novo primeiro-ministro. Para isso, o chefe de Estado deverá buscar o apoio de uma maioria parlamentar, tarefa que se anuncia complicada após o voto desta terça-feira.

RFI

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