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© Angela Weiss O candidato democrata Joe Biden e o vice-presidente Mike Pence na cerimônia do Memorial de Nova York do 11/9

Foram duas tentativas de rivais de unir um país profundamente polarizado: o presidente Donald Trump se mostrou solene e evitou polêmicas nesta sexta-feira, aniversário do 11 de Setembro, enquanto seu adversário democrata, Joe Biden, mostrou empatia com familiares que perderam entes queridos.

O presidente americano Donald Trump e sua esposa Melania em uma cerimônia de homenagem às vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001, na Pensilvânia

© Brendan Smialowski O presidente americano Donald Trump e sua esposa Melania em uma cerimônia de homenagem às vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001, na Pensilvânia

O presidente americano viajou hoje com a mulher, Melania, para o campo onde, há exatos 19 anos, um dos quatro aviões sequestrados pelos jihadistas explodiu na Pensilvânia, um estado crucial para as eleições de 3 de novembro.

A menos de dois meses das eleições presidenciais nos Estados Unidos, os adversários Donald Trump e Joe Biden fazem uma trégua nesta sexta-feira. Ambos participam de cerimônias que marcam o aniversário de 19 anos dos ataques de 11 de setembro.

© Fornecido por AFP A menos de dois meses das eleições presidenciais nos Estados Unidos, os adversários Donald Trump e Joe Biden fazem uma trégua nesta sexta-feira. Ambos participam de cerimônias que marcam o aniversário de 19 anos dos ataques de 11 de setembro.

O presidente deixou de lado sua retórica agressiva para enfatizar o patriotismo e a unidade nacional: “Nos dias e semanas após o 11/9, cidadãos de todas as religiões, de todas as origens, cores e crenças se uniram, rezaram juntos, ficaram de luto juntos e reconstruíram juntos”, declarou.

“Resolvemos nos manter unidos como uma só nação americana, defender nossas liberdades e valores, amar nossos vizinhos e o nosso país, cuidar de nossas comunidades, honrar nossos heróis e nunca, nunca esquecer”, assinalou.

Foi nesse campo de Shanksville onde caiu o avião que fazia o voo 93 da United, depois que os passageiros e a tripulação tentaram retomar o controle da aeronave, sequestrada por quatro jihadistas. As 44 pessoas a bordo morreram.

Biden também viajou a Shanksville com a mulher, Jill, mas não cruzou com Trump, que já havia partido. No memorial dedicado ao voo 93 e diante de cerca de 200 espectadores, o democrata depositou uma coroa de flores brancas no muro onde estão gravados os nomes das vítimas.

O candidato e a mulher conversaram com parentes dos mortos e visitaram um quartel local dos bombeiros.

– Empatia –

Mais cedo, Biden, que acelera as viagens eleitorais depois de permanecer semanas retido em sua casa de Delaware devido à pandemia de coronavírus, participou da cerimônia que recordou as vítimas dos ataques em Nova York, onde morreram 2.700 das quase 3.000 vítimas dos piores atentados da história dos Estados Unidos.

Conhecido por sua empatia, Biden conversou, sem tirar a máscara, com pessoas presentes à cerimônia, o que havia parado de fazer no começo da pandemia.

O vice-presidente Mike Pence também viajou para Nova York, onde cumprimentou Biden com o cotovelo. Os dois assistiram à cerimônia ao lado de suas mulheres e permaneceram de pé, a poucos metros de distância.

“Não vou falar nada que não seja sobre o 11/9. Retiramos toda a publicidade eleitoral hoje. É um dia solene. Vamos manter assim”, declarou Biden aos jornalistas.

Mas a menos de dois meses da eleição, os republicanos organizaram uma cerimônia rival simultânea, também com parentes das vítimas, a duas quadras do memorial do 11/9, que deveria contar com a presença do ex-prefeito republicano Rudy Giuliani.

– ‘Marcar pontos’ –

Tradicionalmente, as cerimônias do 11 de Setembro “são desprovidas de retórica política e são dedicadas a homenagear as vítimas dos ataques”, explicou à AFP o professor de Ciência Política da Universidade de Columbia Robert Shapiro.

Mas é um evento altamente midiatizado, “onde o simples fato de estar presente, de mostrar liderança e empatia, permite marcar pontos”, acrescenta.

“Portanto, (os candidatos) aproveitam a ocasião, ao mesmo tempo em que silenciam temporariamente a retórica corrosiva habitual”, completou Shapiro.

O fato de ambos viajarem para a Pensilvânia, onde as últimas pesquisas mostram uma disputa acirrada entre os dois candidatos, ilustra seus “cálculos óbvios”.

A Pensilvânia foi democrata durante muito tempo, até que, em 2016, o republicano Trump venceu no estado, contribuindo para sua inesperada vitória sobre Hillary Clinton. Agora, os democratas querem a revanche.

As cerimônias de 11/9 marcam uma trégua, mas esta pode ser curta, como aconteceu há quatro anos. A democrata Hillary Clinton participou da cerimônia em Nova York em 2016, ao contrário de seu então rival Trump. Mas passou mal e saiu antes do fim do evento.

O médico de Hillary revelou que, dois dias antes, ela havia sido diagnosticada com pneumonia, algo que a ex-secretária de Estado deixou em segredo. Trump explorou o episódio a seu favor, com piadas sobre a democrata.

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AFP

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