Patrulha de segurança em Bangui, República Centro-Africana. Em 22 de dezembro de 2020.
 AFP – ALEXIS HUGUET

A coalizão de grupos armados, que há uma semana lidera uma ofensiva contra o governo centro-africano, anunciou nesta sexta-feira (25) o rompimento de seu “cessar-fogo unilateral” de três dias, que expiraria antes das eleições presidenciais e legislativas de domingo (27).

Diante da “teimosia irresponsável do governo”, que “teria rejeitado” o cessar-fogo, a Coalizão de Patriotas pela Mudança (CPC), “decide romper a trégua de 72 horas que até então impôs e retomar sua marcha implacável até seu objetivo final “, diz um comunicado confirmado por dois grupos rebeldes. “Vários ataques se seguiram às posições ocupadas pelos patriotas do PCC”, denuncia o documento.

Os signatários convidam “as autoridades a observarem um cessar-fogo, da mesma forma no período” e apelaram ao chefe de Estado, Faustin Archange Touadéra, favorito às eleições presidenciais, a “suspender as eleições que não reúnem as condições ideias para acontecer”.

Na quinta-feira (24), Ange-Maxime Kazagui, porta-voz do governo, reagiu denunciando “um não acontecimento” e disse que “não tinha visto essas pessoas pararem os ataques”.

O governo considera este cessar-fogo uma cortina de fumaça. Jean-Eudes Teya, secretário-geral do KNK, partido no poder do presidente destituído François Bozizé, entrevistado pela correspondente da RFI em Bangui, Charlotte Cosset, considera que “um cessar-fogo só tem valor se a parte contrária aceitar as condições que eles pedem. No entanto, desde quinta-feira, o primeiro-ministro do governo centro-africano rejeitou oficialmente a proposta de trégua. Portanto, não há trégua de Natal. ”

Já para os grupos rebeldes, o governo “rejeitou arrogantemente” esta “chance de paz”. “Agora, ou o governo nos dispersa ou marchamos sobre Bangui, que é nosso objetivo final”, disse o general Bobo do movimento 3R.

O movimento 3R (Retorno, Reivindicação, Reabilitação), um dos pilares da coligação, e a Frente Popular para o Renascimento da República Centro-Africana (FPRC) confirmaram a autenticidade do comunicado.

Os combates recomeçaram em Bakouma, a cerca de 250 km de Bangui, de acordo com Vladimir Monteiro, porta-voz da Missão das Nações Unidas na República Centro-Africana (Minusca).

O ex-presidente Michel Djotodia, ex-líder da rebelião Seleka e próximo do ex-presidente Touadera (favorito nas eleições de domingo), pediu calma e condenou o retorno da violência em certas regiões e “que causou a morte de civis com o objetivo de desestabilizar o país para interesses egoístas. Sem paz não podemos nos desenvolver, disse. “Convido os meus concidadãos a se entenderem e a encontrarem soluções e, sobretudo, a deixarem o processo eleitoral chegar ao fim”.

A República Centro-Africana está mergulhada em uma guerra civil há oito anos. Entre 2013 e 2014, mais de um quarto dos 4,9 milhões de habitantes tiveram que fugir. Atualmente, 675.000 permanecem refugiados nos países vizinhos. Apesar de um declínio notável nos combates, desde 2018, e de um acordo de paz, em 2019, os grupos armados continuam a atacar esporadicamente as forças de segurança e civis.

Noticiário Francês 

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