O príncipe saudita, Mohammed bin SalmanDivulgação/G20

O presidente dos EUA, Joe Biden, e o rei Salman bin Abdulaziz Al Saud, da Arábia Saudita, conversaram por telefone nessa 5ª feira (25.fev.2021). O telefonema ocorreu depois que a CIA (órgão de inteligência dos EUA) finalizou um relatório sobre o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi.

Em comunicado, a Casa Branca não mencionou o relatório. Disse que Biden “afirmou a importância que os EUA dão aos direitos humanos universais e o Estado de Direito”.

“O presidente disse ao rei Salman que trabalharia para tornar a relação bilateral o mais forte e transparente possível.”

De acordo com a Casa Branca, os líderes “discutiram a segurança regional, incluindo os esforços diplomáticos renovados liderados pelas Nações Unidas e pelos Estados Unidos para encerrar a guerra no Iêmen, e o compromisso dos EUA de ajudar a Arábia Saudita a defender seu território enquanto enfrenta ataques de grupos alinhados ao Irã.”

O relatório da CIA, que deve ser divulgado em breve, pode implicar o filho do rei, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, no assassinato do jornalista. Ele nega envolvimento no caso.

O ex-presidente Donald Trump havia rejeitado a liberação do documento para manter boa relação com os sauditas. Espera-se que Biden tome uma posição mais dura.

Antes da conversa com o rei Salman, o presidente norte-americano prometeu “recalibrar” as relações estabelecidas ao longo do governo Trump. Mas o fato de que a conversa entre os 2 líderes coincide com a iminente divulgação da avaliação da inteligência dos EUA sobre quem matou Khashoggi coloca Biden em uma posição delicada.

Tornar o relatório público complicaria a relação EUA-Arábia Saudita. Biden estaria sob pressão para sancionar o filho do rei e quaisquer outros altos funcionários e entidades que o relatório aponte como cúmplices no assassinato. A relação futura entre os dois países poderia ser comprometida, uma vez que o príncipe herdeiro deve um dia se tornar o governante oficial da Arábia Saudita.

ASSASSINATO

Em outubro de 2018, o jornalista Jamal Khashoggi, conhecido por suas críticas às autoridades sauditas, foi ao consulado de seu país em Istambul, na Turquia, para obter documentos que lhe permitissem se casar com sua noiva turca.

Ele teria recebido garantias do irmão do príncipe herdeiro, príncipe Khalid bin Salman, que era embaixador nos EUA na época, de que seria seguro visitar o consulado. O Príncipe Khalid negou qualquer comunicação com o jornalista.

De acordo com os promotores sauditas, Khashoggi foi contido à força depois de uma luta e recebeu injeção com uma grande quantidade de droga, resultando em uma overdose que levou à sua morte. Seu corpo foi então desmembrado e entregue a um “colaborador” local fora do consulado, disseram os promotores. Os restos mortais nunca foram encontrados.

Esse detalhes foram revelados em transcrições de supostas gravações de áudio obtidas pela inteligência turca.

Khashoggi já foi conselheiro do governo saudita e próximo da família real, mas a relação ficou complicada por causa das críticas e, em 2017, o jornalista se exilou nos EUA, onde continuou escrevendo semanalmente sobre a política de seu país.

As autoridades sauditas argumentam que a morte foi provocada por uma “operação desonesta” por parte de uma equipe de agentes enviados para buscar e devolver o jornalista ao seu país de origem.

Um tribunal saudita condenou 5 pessoas a 20 anos de prisão em setembro do ano passado, depois de inicialmente sentenciá-los à morte.

Poder360

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