A Receita Federal decidiu regularizar o Cadastro de Pessoa Física (CPF) de milhares de contribuintes que tinham pendências eleitorais — eleitor que deixa de votar e não justifica. Normalmente, a regularização é feita nos cartórios eleitorais, no momento fechados. A Receita volta a alertar que as pessoas evitem ir aos locais de atendimento. Tudo poderá ser feito pelo site (https://receita.economia.gov.br) ou por e-mail.

A Receita não informou quantos CPFs passaram à condição de regularizados. A decisão ocorreu um dia após uma grande procura às agências da Receita em todo o país. As aglomerações contrariam as recomendações da Organização Mundial de Saúde durante a pandemia de coronavírus.

A aglomeração nas unidades da Receita Federal foi motivo de crítica por sindicatos. Em março, o Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários (Sindireceita) encaminhou ao Fisco um documento com 40 propostas para o enfrentamento da crise sanitária. “Há um rol de propostas que tratam da regularização do CPF e poderiam ter sido adotadas pelos os órgãos envolvidos no pagamento da renda mínima de imediato, sem custos e de forma extremamente simplificada”, reforçou o documento.

O grande problema, segundo Geraldo Seixas, presidente do Sindireceita, é que “muita gente no país sequer tem acesso à internet”. Essa também é uma preocupação de Vilson Romero, coordenador de Estudos Socioeconômicos da Associação dos Auditores Fiscais da Receita (Anfip).
Romero lembra que 40% da população brasileira, de acordo com dados da Fundação Getulio Vargas (FGV), não tem inclusão digital. “Cerca de 59% têm aparelho celular. O que não quer dizer que tenham acesso à internet. Temos que tomar cuidado com a falta de notificação de óbitos, por exemplo, nos distantes rincões do país, para evitar que pessoas que não têm direito usufruam dos benefícios, caso um CPF seja reabilitado indevidamente”, assinalou.

Correio Braziliense 

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