O nacionalista e conspiracionista Jake Angeli discute com policial depois de invadir o Capitólio na quarta-feira (6).
 AFP – SAUL LOEB

O ator Jake Angeli alcançou fama internacional nesta quinta-feira (6), depois de liderar a invasão do Congresso dos Estados Unidos ao lado de apoiadores de Donald Trump. Vestido com um casaco de pele que deixava suas tatuagens à mostra, a bandeira americana pintada no rosto e um extravagante cocar de chifre de búfalo na cabeça, Angeli é um produto típico da era Trump: mais conhecido nas redes sociais pelos pseudônimos de Q-Shamam e Q-Guy, ele é um adepto do movimento conspiracionista de extrema direita QAnon.

Ator no Arizona, Jake Angeli, 32 anos, é muito popular entre os seguidores do QAnon e um dos mais ferrenhos defensores do presidente Donald Trump. Esse movimento de extrema direita propaga nas redes sociais que uma conspiração satânica e pedófila controla secretamente o governo dos Estados Unidos e todo o país. Essa rede maligna seria formada por personalidades do Partido Democrata, como Hillary Clinton e Barack Obama, e grandes empresários. De acordo com a crença dos seguidores de QAnon, Trump estaria travando uma guerra clandestina para livrar os Estados Unidos dessas figuras do mal.

As tatuagens de Angeli dizem muito sobre o personagem: uma delas, que mostra triângulos entrelaçados, é o símbolo Viking de “Valknut”. Trata-se de uma referência ao “wotanismo”: inspirado na figura do deus Wotan, principal divindade do panteão germânico, é uma ideologia valorizada pelos neonazistas.

Como os outros seguidores deste movimento QAnon, Angeli estima que Trump é o único homem capaz de lutar contra os “pedófilos canibais” do Partido Democrata. Eles estão convencidos de que a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais dos EUA é uma grande fraude eleitoral, daí a invasão do Capitólio.

Em entrevista concedida à ORF (mídia pública austríaca) durante um comício no Arizona, o militante deu sua visão sobre a corrupção nos mais altos escalões dos governos: “Em todo o mundo, os países são ocupados por instituições bancárias centrais, que emprestam dinheiro aos governos, o que lhes permite dominar todas as engrenagens socioeconômicas e geopolíticas do país.”

De acordo com Angeli, ainda, “bilhões de dólares estão sendo usados ​​para criar toneladas de bases subterrâneas, onde eles têm tecnologia de ponta ultrassecreta”. “Eles sabem como criar energia infinita, uma tecnologia antigravidade, produzir a inércia e proporcionar avanços na clonagem e outras coisas malucas”, afirma. O nacionalista teme a criação de uma “nova ordem mundial” e diz ter encontrado essas descobertas por meio de pesquisas na internet.

Um ano atrás, o FBI classificou as ações do QAnon de “ameaça potencial de terrorismo doméstico”. Vários atos de violência já foram cometidos em conexão com este movimento, que chegou à Europa e tem adeptos na França, Alemanha e Reino Unido, entre outros países europeus.

Semeando confusão nas redes sociais

Nos últimos meses, Angeli participou de vários comícios pró-Trump no Arizona. As imagens do ativista desfilando em uma manifestação do movimento Black Lives Matter (“Vidas Pretas Importam”) causou surpresa, mas foi considerada como uma tentativa de convencer os internautas de que era um antifascista disfarçado.

Sem provas, nas últimas horas, apoiadores de Trump também tentaram convencer nas redes sociais que Angeli, assim como outros manifestantes que invadiram o Capitólio, eram na verdade membros do movimento esquerdista “Antifa” disfarçados de apoiadores de Trump. No entanto, a identificação dos participantes aponta claramente para simpatizantes de extrema direita.

Além das declarações inequívocas de Angeli, a mulher que morreu atingida por um disparo feito por um policial no Capitólio foi identificada como Ashli ​​Babbitt, uma veterana das Forças Armadas dos EUA, moradora de San Diego e partidária declarada de Trump e do QAnon, como ela explicitava em suas redes sociais.

Outro manifestante identificado foi Richard Barnett, 60 anos, natural do Arkansas e líder de um grupo local que defende o porte de armas. Ele invadiu o escritório da líder da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi.

Tim Gionet, mais conhecido como “Baked Alaska”, é um ativista nacionalista branco que transmitiu lives de dentro do Capitólio.

Entre a multidão que invadiu o Congresso também havia vários símbolos utilizados por grupos de extrema direita: a bandeira confederada, abolida das bases militares e de vários prédios públicos por simbolizar a era da segregação racial, e a bandeira da milícia antigovernamental chamada 3%. Também estavam presentes os Proud Boys, um grupo de extrema direita cujo líder foi preso por queimar uma bandeira do movimento Black Lives Matter.

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