Integrantes talibãs inspecionam o local de uma das explosões em Jalalabad neste sábado, 18 de setembro de 2021.
 STR AFP

As explosões aconteceram na cidade de Jalalabad, no leste do país, e visaram forças de segurança do Talibã. Esses foram os primeiros ataques com vítimas registrados desde que o grupo fundamentalista islâmico anunciou a composição do novo governo do Afeganistão, em 7 de setembro, e desde a retirada dos Estados Unidos do país, em 30 de agosto.

“Em pelo menos um dos ataques com bomba, o alvo foi um veículo de talibãs que patrulhava a cidade”, disse à AFP uma fonte talibã que não quis se identificar. “Entre os feridos há mulheres e crianças”, acrescentou.

Um responsável do departamento de Saúde do estado de Nangarhar, cuja capital é Jalalabad, disse que havia três mortos e 18 feridos nas explosões, mas a mídia afegã informa dois mortos. Os ataques não foram reivindicados até agora.

Fotos do local de uma das explosões mostram um veículo verde da polícia com a bandeira do Talibã, com o capô deformado e quase em posição vertical, em meio aos escombros.

Reduto do grupo EI

Jalalabad é o reduto do grupo Estado Islâmico no Afeganistão, rival dos talibãs. O EI reivindicou o sangrento atentado que matou mais de 100 pessoas no aeroporto de Cabul no final de agosto.

Desde que as tropas estrangeiras saíram do país, em 30 de agosto, não houve registro grandes atos violentos no Afeganistão. Paralelamente, os talibãs prometeram trazer a paz e a estabilidade de volta após 40 anos de guerras, crises e turbulências políticas. Mas os ataques deste sábado evidenciam a frágil situação de segurança no país.

Horas antes desses ataques, as escolas de ensino fundamental II e médio reabriram suas portas no Afeganistão, mas não havia alunas ou professoras. O Talibã permitiu o acesso apenas aos meninos, para o desgosto da Unicef, que pediu que “as meninas não sejam deixadas de lado”. A agência da ONU para a educação e cultura alertou que a decisão terá “consequências irreversíveis” para metade da população do país.

Desde que voltou a governar o país, o Talibã tenta tranquilizar os afegãos e a comunidade internacional, afirmando que os direitos das mulheres serão respeitados. No entanto, as decisões do novo Executivo não refletem essas afirmações. Nenhuma mulher integra o novo governo afegão.

Erro “trágico”

Um mês após a tomada de Cabul pelo Talibã e após as operações caóticas para a retirada de milhares de afegãos e estrangeiros do país, o exército dos Estados Unidos reconheceu, na sexta-feira (17), que matou dez civis inocentes, pouco antes de deixar o país. Os militares chamaram o bombardeio do veículo que acreditavam estar carregado com explosivos, em 29 de agosto, de erro “trágico”. Ao todo, mais de 71.000 civis afegãos e paquistaneses morreram nos 20 anos de guerra no Afeganistão.

Na sexta-feira, o Conselho de Segurança da ONU renovou por seis meses sua missão política no Afeganistão, voltada para a promoção da paz e da estabilidade. Os talibãs não se opuseram à presença da ONU.

O retorno do grupo fundamentalista islâmico ao poder e a situação do país serão alguns dos temas centrais da Assembleia Geral da ONU, que começa na próxima terça-feira (21). Ainda não foi definido quem falará em nome do Afeganistão.

(Com AFP)

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