Andrés Arauz (esquerda) e Guillermo Lasso disputam o segundo turno da eleição presidencial neste domingo no Equador.
 Rodrigo BUENDIA AFP/Archivos

O Equador elege seu próximo presidente neste domingo (11) no segundo turno entre o economista de esquerda Andrés Arauz e o ex-banqueiro Guillermo Lasso. A disputa está acirrada entre progressistas e a direita conservadora. O vencedor governará um país dividido, em crise econômica e assolado pela pandemia do coronavírus.

Embora a proibição de publicação de pesquisas esteja em vigor, vários institutos de pesquisa preveem uma contagem final apertada, com possibilidade de reviravolta para Lasso, que chegou em segundo lugar no primeiro turno, em 7 de fevereiro, com 19,74% dos votos contra 32,72 % para Arauz. Os indecisos estão em torno de 15%. Lasso e Arauz também protagonizam um embate de gerações e estilos que será decidido com o voto obrigatório de 13,1 milhões de equatorianos.

Aos 36 anos, Arauz, economista formado nos Estados Unidos, pode se tornar o presidente mais jovem da América Latina, enquanto Lasso, um ex-banqueiro de 65 anos, pode estar enfrentando sua última chance de chegar ao poder depois de perder as eleições de 2013 e 2017.

Arauz é conhecido por ser o herdeiro político do ex-presidente Rafael Correa (2007-2017). O ex-chefe de Estado ainda orbita no cenário local, apesar de estar há quatro anos fora do Equador e ter sido condenado por corrupção, processo que atribui a uma perseguição política.

Por outro lado, Lasso encarna a direita tradicional e reúne apoio entre empresários, alguns meios de comunicação e eleitores desencantados com o socialismo do século 21 que Correa proclamava.

O vencedor assumirá as rédeas deste país de 17,4 milhões de habitantes a partir de 24 de maio, substituindo o impopular Lenín Moreno, que deixa o cargo hostilizado pelas críticas à gestão da pandemia e seus efeitos econômicos.

Em 2020, a economia dolarizada do Equador registrou uma queda de 7,8% do PIB e a dívida pública (interna e externa) aumentou para 63% do produto interno bruto.

O voto indígena

Arauz promete um governo “progressista” para resolver a crise econômica que agrava a pandemia, com medidas como a renegociação de um acordo de austeridade de US$ 6,5 bilhões com o FMI, enquanto Lasso é explícito: ele promoverá o livre comércio.

“Essa divisão social, e que a campanha exacerbou, faz com que o voto de rejeição a Correa acabe favorecendo Lasso”, diz Pablo Romero, analista da Universidade Salesiana.

Os indígenas, que quase passaram para o segundo turno com seu candidato Yaku Pérez, um líder de esquerda anti-Correa que chegou a alegar um suposto “roubo” das eleições sem prová-lo, aparecem como força determinante neste domingo. Uma parte dos eleitores decepcionados com a derrota na presidencial seguirá a recomendação para anular o voto, defendida por Pérez, outra parte migrará para a candidatura de Arauz, e um número menos significativo provavelmente votará em Lasso.

Certo é que nenhum dos dois finalistas terá maioria no Legislativo e, assim, terá que negociar com o Pachakutik, partido indígena que conquistou a segunda maior votação na Assembleia atrás da União para a Esperança (Unes), movimento de Arauz. O Criando Oportunidades (Creo), grupo de Lasso, terá uma representação mínima.

“Há uma crise econômica, de saúde e de governança no momento (…) Quem vencer contará com um panorama completamente dividido, muito difuso”, diz Wendy Reyes, consultora política e professora da Universidade de Washington.

Legado de Correa em jogo

Os defensores do projeto de Correa, que ampliou e fortaleceu o Estado e promoveu a modernização do Equador, embora, segundo seus críticos, à custa de um estilo autoritário e salpicado de corrupção, parecem ter perdido a vantagem do primeiro turno.

“A taxa de crescimento da campanha de Lasso teve uma diferença de 2 para 1 em comparação com o crescimento da campanha de Arauz”, disse Blasco Peñaherrera, chefe da pesquisa de opinião do instituto Market.

Outros analistas também alertam sobre o impacto que um voto nulo poderia ter.

“Se houver um percentual muito alto, isso legitimaria protestos no futuro e afetaria a governabilidade do próximo presidente”, afirma Oswaldo Moreno, da Consultoria Política Independente.

Muito ativo no primeiro turno, Correa praticamente desapareceu na reta final da campanha, na tentativa de proteger seu pupilo das forças que o repelem. O ex-presidente está na Bélgica desde 2017. Moreno, seu ex-vice, o sucedeu, apoiado pela popularidade do governo socialista, mas rapidamente se distanciou de Correa e desencadeou a fratura da esquerda dominante. Correa foi condenado pela Justiça à revelia, mas do autoexílio marcou a candidatura de seu antigo e desconhecido conselheiro econômico, Arauz.

“O Correísmo não só arrisca a sua continuidade como também pode desaparecer [se perder], mas os processos judiciais vão continuar e isso fará com que tenha cada vez menos espaço”, opina Romero, da Universidade Salesiana.

Com informações da AFP

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