Em Lisboa, mesário prepara equipamentos da seção eleitoral minutos antes da abertura da votação em Portugal. REUTERS/Pedro Nunes
 REUTERS – PEDRO NUNES

Dez milhões de eleitores estão inscritos para votar no primeiro turno das eleições presidenciais realizadas neste domingo (24) em Portugal. As seções eleitorais abriram às 8h no horário local (5h de Brasília). Sete candidatos concorrem ao Palácio de Belém numa disputa em que a abstenção é o principal adversário, devido à epidemia de coronavírus.

Adriana Moysés, enviada especial a Lisboa

O voto é facultativo em Portugal. No total, 10.865.010 eleitores se inscreveram para participar do pleito no prazo determinado pela Comissão Nacional de Eleições (CNE).

Para evitar aglomerações, cerca de 133 mil já votaram antecipadamente no domingo passado. Outros 13 mil eleitores puderam votar sem sair de casa durante a semana, em uma operação excepcional de coleta domiciliar de votos reservada a pacientes contaminados pela Covid-19 e pessoas de saúde frágil. Cerca de 1,5 milhão e meio de portugueses residentes no exterior começaram a votar no sábado (23).

Segundo as regras definidas pela Direção-Geral da Saúde, os eleitores precisam usar máscara nas seções eleitorais e levar sua própria caneta. Vários municípios reforçaram as medidas de prevenção sanitária com a abertura de novas salas, aumentaram o número de mesas e de funcionários, a fim de evitar filas e garantir o distanciamento físico dos eleitores.

Algumas câmaras municipais decidiram testar todos os mesários e auxiliares convocados para trabalhar na eleição. João Manuel Rosa de Almeida, secretário de acompanhamento na CNE, disse que tudo foi feito para que a votação transcorra de modo seguro.

O governo português decretou um lockdown geral no dia 15 de janeiro, diante da explosão de casos da Covid-19. Com 80 mil casos confirmados na última semana e 1.400 mortes, Portugal tornou-se o primeiro país no mundo em número de contaminações e óbitos por milhão de habitantes.

A taxa de positividade dos testes chegou a 20%, contra 9% no final de dezembro. A infecção já causou 10.194 mortes no país desde o início da pandemia.

Favoritismo de Rebelo de Sousa

Nesse contexto de agravamento da crise sanitária, especialistas temem uma abstenção recorde na votação, entre 60% e 70%. Outro fator que pode afastar os eleitores das urnas é o favoritismo do presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Todas as pesquisas indicam que o atual chefe de Estado será reeleito para um mandato de cinco anos, com 58% a 62% dos votos, dependendo da sondagem.

A maior interrogação fica por conta do desempenho do representante da extrema direita, André Ventura. Ele espera chegar em segundo lugar, à frente da socialista Ana Gomes, que se apresenta como candidata independente, já que o Partido Socialista apoia oficiosamente a reeleição de Rebelo de Sousa. Embora a maioria das pesquisas aponte a diplomata e ex-deputada no Parlamento Europeu na segunda posição, há empate técnico entre os dois adversários.

As primeiras projeções de resultados devem ser divulgadas depois das 20h (17h em Brasília), quando as últimas seções eleitorais encerrarão a votação no arquipélago de Açores.

Noticiário Francês 

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