Polícia francesa prende terceiro suspeito de envolvimento no ataque a faca em Nice

PARIS — Uma terceira pessoa foi presa por ter envolvimento com o ataque a faca que deixou três mortos em Nice, no Sul da França. A informação foi passada pela polícia francesa neste sábado. A prisão acontece em um momento que o governo intensifica ainda mais seus esforços contra possíveis novo atentados extremistas.

Na quinta-feira, um homem de 21 anos matou a facadas três vítimas dentro da Basílica de Notre Dame, que fica em uma importante via da cidade. Entre os mortos estava a brasileira Simone Barreto Silva, que morava no país há quase 30 anos. O agressor foi identificado como o tunisiano Brahim Aouissaoui. Segundo a prefeitura de Nice, ele havia gritado “Allahu Akbar” (“Ala é maior”) repetidamente até ser baleado e preso após o ataque.

A terceira prisão aconteceu na noite de sexta-feira, durante uma operação de buscas na residência de um segundo suspeito, que teria contato com o agressor na véspera do ataque. O terceiro preso é um homem de 33 anos cuja identidade ainda não foi revelada. A polícia tenta apurar qual foi o papel dele no caso.

No mesmo dia do atacado, um outro homem, de 47 anos, foi preso depois ter sido visto ao lado do autor do atentado em imagens de câmeras de segurança da cidade. Aouissaoui também está preso, mas permanece sob custódia no hospital, em estado grave.

O autor do atentado deixou a Tunísia em 14 de setembro e chegou à Europa no dia 20 daquele mês, em um dos barcos de imigrantes que costumam atracar na ilha italiana de Lampedusa. De lá, ele foi para a cidade italiana de Bari em 9 de outubro. Ele chegou a Nice de trem na quinta-feira, com um documento emitido pela Cruz Vermelha italiana, e trocou de roupa na estação ferroviária antes de se dirigir para o ataque na igreja, a 400 metros de distância. Ele ainda ligou para a família quando estava diante da igreja, momentos antes do atentado. A Tunísia informou que, no país, ele não era fichado como militante radical.

Neste sábado, o presidente francês, Emmanuel Macron, reforçou a segurança em locais de cultos religiosos e escolas, enquanto seus ministros alertaram que outros ataques extremistas podem acontecer.

O ataque de Nice, no mesmo dia do feriado muçulmano que comemora o aniversário do profeta Maomé, aconteceu a cerca de duas semanas de um outro ataque islamista radical na França. No dia 16 de outubro, o professor de Geografia e História Samuel Paty foi decapitado por um terrorista islâmico de origem chechena em Conflans Saint-Honorine, a noroeste de Paris, após ter mostrado caricaturas do profeta Maomé publicadas pela revista satírica Charlie Hebdo em uma aula sobre liberdade de expressão — o uso de imagens do líder religioso é considerado uma blasfêmia por fiéis da religião

Desde então, Macron vem adotando ainda mais uma retórica dura contra o islamismo radical no país, o que chegou a gerar revolta em outros país com maioria muçulmana, além de aumentar as tensões diplomáticas do mandatário com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

Para aliviar esses atritos, uma entrevista com Macron na rede de TV Al Jazeera, na qual ele aborda algumas dessas tensões, deve ir ao ar ainda neste sábado, segundo informou o gabinete do presidente francês.

Segundo pessoas próximas a ele, ao se dirigir diretamente ao público muçulmano, Macron tenta se opor ao que vê como uma interpretação errônea de suas recentes declarações sobre o Islã e explicar o modelo secularista muitas vezes incompreendido da França.

Macron também conversou com o Papa Francisco na sexta-feira, disse o gabinete do presidente, e discutiu a importância da liberdade de expressão e do diálogo entre as religiões.

— Ele afirmou que continuaria a lutar contra o extremismo para que todos os franceses pudessem expressar sua fé em paz e sem medo —disse um porta-voz do presidente.

Investigação italiana

Promotores na cidade siciliana de Palermo, na Itália, estão investigando a passagem do autor do atentado em Lampedusa, incluindo quais pessoas ele teria entrado em contato, segundo fontes judiciais informaram à agência Reuters. Os investigadores apuram a possibilidade de que o suspeito tenha passado também pela cidade italiana de Bari no início de outubro antes de partir para Palermo, disseram.

O irmão do autor do atentado, Yassine, que mora em Sfax na Tunísia, disse à AFP que ninguém informação sobre Aouissaoui até quarta-feira passada, quando ele ligou para a família.

— Ele nos disse que foi para a França porque era mais fácil encontrar trabalho lá —disse Yassine, que explicou que o irmão se voltou para a religião há dois anos.

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