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Pequim prepara retaliação contra União Europeia por aumento de tarifas sobre veículos elétricos chineses


Pessoas fotografam o novo veículo elétrico da montadora chinesa Nio, Onvo L60 SUV, em Xangai, China, em 15 de maio de 2024.
 REUTERS – Zoey Zhang

China antecipou as sanções com uma lei adotada em abril passado pelo Parlamento chinês, que tem o objetivo de reforçar suas capacidades de resposta. Mesmo que, de momento, Pequim ainda pretenda negociar e mudar a opinião dos Estados europeus, pressionando e visando setores-chave.

Para isso, a China dispõe de um arsenal de ferramentas prontas para usar, como a investigação antidumping sobre destilados, que ameaça particularmente os fabricantes franceses de conhaque. Pequim suspeita que certos países da UE subsidiem seus produtos para depois vendê-los mais baratos no mercado chinês, distorcendo assim a concorrência.

Além disso, na semana passada, empresas chinesas do setor agroalimentar, denunciaram subsídios europeus aos produtos lácteos.

Dificuldades de sobreviver no mercado chinês

O último Salão do Automóvel de Xangai demonstrou que os fabricantes estrangeiros têm dificuldade de sobreviver no mercado chinês diante do incrível avanço dos carros elétricos “made in China”. Há apenas cinco anos, os táxis em Pequim eram sul-coreanos ou japoneses. Hoje quase toda a frota é chinesa.

Por enquanto, os únicos sobreviventes são os veículos alemães, que continuam dominando o mercado dos sedan. Mas eles poderiam ser tributados para pressionar Berlim antes da reunião do Conselho Europeu, de acordo com alguns analistas na China, caso a Alemanha não bloqueie o projeto de direitos aduaneiros europeus, que deverá entrar em vigor a partir de 4 de julho.

Exportação de excesso de capacidade chinesa

Outro problema é a necessidade dos fabricantes chineses de exportar seu excesso de produção, em um contexto de guerra de preços no mercado interno. Nas últimas semanas, BYD, Geely, Wuling, MG Xpeng e outros fabricantes chineses encheram barcos, portos e estacionamentos na Europa com seus veículos, antecipando a aplicação das sanções.

Pequim também insiste que vai defender seus interesses diante de uma decisão europeia descrita como  “protecionismo disfarçado” pela Câmara de Comércio Chinesa na Europa.

Essa mensagem foi repetida ontem por todas as instituições chinesas: o Ministério do Comércio da China expressou sua “forte decepção”, enquanto a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis expressou seu “profundo descontentamento”. Apesar de que é nos bastidores que as negociações acontecem. A diplomacia chinesa usa todas as manobras para tentar dividir os países do bloco sobre a adoção das sanções.

Pequim anunciou também nesta quinta-feira, por meio do porta-voz do Ministério do Comércio, He Yadong, que “se reserva o direito de apresentar uma queixa à Organização Mundial do Comércio (OMC) e tomar todas as medidas necessárias para defender com muita determinação os direitos e interesses das empresas chinesas”.

Stéphane Lagarde, correspondente daRFI em Pequim.

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