O prefeito Marcelo Crivella classificou a operação de busca e apreensão em sua casa como “estranha” e “injustificada” Foto: Divulgação/Prefeitura do Rio

RIO – Nas investigações sobre o “QG da Propina”, o Ministério Público do Rio (MPRJ) diz ter provas que confirmam a participação direta do prefeito Marcelo Crivella “nas negociatas escusas” da organização criminosa. O esquema envolvia principalmente a cobrança de propinas a empresas para que elas fossem priorizadas no pagamento de restos a pagar. Em alguns desses pagamentos, investigadores encontraram o carimbo do gabinete de Crivella autorizando. Os detalhes dessas provas foram exibidas pela TV Globo, no RJTV2.

Uma das principais evidências está nos repasses para as empresas de João Alberto Felippo Barreto, dono da Locanty Serviços, Laquix Comercio e Serviços Eireli, Claufran Segurança Patrimonial e Ambiental e Ambiental Service Limpeza e Conservação LTDA. O empresário foi citado na delação do doleiro Sergio Mizrahy, que atuava em conjunto com Rafael Alves, como um dos integrantes do esquema de propinas para ter prioridade no recebimento de valores atrasados.

Uma tabela apreendida pelo Ministério Público mostra que, a partir de 2017, houve aumento nos pagamentos realizados pelo Tesouro Municipal em favor das empresas de Barreto, justamente quando se iniciou a gestão de Crivella. Além disso, em um desses pagamentos, foi encontrado um carimbo do gabinete do prefeito, o que denota, de acordo com os investigadores, expressa autorização de Marcelo Crivella.

No esquema, os pagamentos partiam de mais de 20 unidades gestoras do município – incluindo o gabinete do prefeito -, o que, segundo o MPRJ, inviabilizaria a tese de que o pagamento mediante propina era algo pontual e isolado.

Outras empresas acusadas como integrantes do esquema são a Ziuleo Copy Comercio e Serviços LTDA, que recebeu R$73 milhões entre 2017 e 2019, e a MLTplus Comunicação LTDA, que recebeu R$32 milhões no mesmo período. Em uma das mensagens apreendidas pela investigação, o empresário Leonardo Conrado dono da Ziuleo, pede ajuda para Rafael Alves. Em relação ao MKTplus, suas contratações eram realizadas diretamente no gabinete do prefeito, diz o MPRJ.

Como funcionava o esquema

Segundo MPRJ, Rafael Alves começou a circular na esfera municipal na época da eleição de Crivella com o objetivo de “abordar empresários com elevado potencial econômico e com notória atuação junto à Prefeitura do Rio de Janeiro, e solicitar à antecipação de valores a título de propina em troca da obtenção futura de vantagens (..que) variavam desde a promessa de preferência no recebimento de pagamentos devidos pelo Tesouro Municipal, até a possibilidade de indicação de cargos para postos estratégicos e o favorecimento em novos processos licitatórios”.

Além de burlar ordem cronológica dos pagamentos, as empresas tinham prioridade no recebimento dos atrasados. Com a crise financeira, nem todos fornecedores conseguiriam ser pagos no prazo correto. Por isso, o município determinou prioridade aos pagamentos de valor inferior a R$17,600 e a empresas que forneciam mão de obra diretamente para município.

Mas o MPRJ apurou que havia direcionamento de pagamentos na prefeitura, e, parte das empresas que receberam os atrasados com antecedência não seriam prioritárias pelos critérios oficiais. Foram justamente nessas empresas que investigadores encontraram relações com Rafael Alves.

Extra 

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