Sobre um eventual processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro, descortinam-se duas possibilidades preocupantes, tanto para ele e seus seguidores – a que o Brasil já se acostumou a, depreciativamente, chamar de “gado” – como para o País:

Possibilidade que sinaliza perigo para o Brasil – O impeachment é um processo de cunho mais político que jurídico, na medida em que a decisão final deságua, inexoravelmente, no plenário do Congresso Nacional.

Agora, imagine o risco grande que é um pedido de impeachment dessa natureza nas mãos de um magote de senadores e deputados que se vendem por quaisquer trinta dinheiros… Os do Centrão, por exemplo. São gente sem o menor apreço e a mínima responsabilidade com o País, que só pensa em se dar bem, e que está ali para o “toma lá dá cá” mesmo; pra se vender em troca de favores e vantagens.

Em tempo: estamos falando de uma maioria esmagadora de péssimos parlamentares, com a ressalva de que há homens de bem e dignos de nos representar naquelas duas casas legislativas.

Voltando: num ambiente promíscuo desse, por acaso seria novidade para alguém que, estando Bolsonaro postado no mais poderoso cargo da República, com aquela caneta, milhares de cargos e influência de sua bancada conseguisse maioria para derrotar a proposta de impeachment? Claro que não!

Agora, imagine o desastre que seria um Bolsonaro saindo fortalecido com uma derrota de um pedido de impeachment. Ele viria por cima, fortalecido e turbinado em suas pretensões delirantes de se tornar um ditador civil, tratorando a Constituição e a Democracia.

Aí, sim, desta vez, quem sabe, ele não mandaria explodir o Supremo Tribunal Federal…

Possibilidade que sinaliza perigo para o presidente – Bolsonaro andaria na corda bamba correndo sérios riscos de ser destronado.

Como assim?!

Ora, a famosa direitona brasileira já conseguiu o que queria: destronar a esquerda do poder. Com isso, avançou em suas ambições como a reforma trabalhista danosa às classes trabalhadoras; e a reforma da Previdência, “granadas colocadas no bolso do inimigo” pelas armadilhas maléficas montadas pelo ministro Paulo Guedes.

Para complicar, a direitona ainda ri aliviada quando vê a fina-flor de um representante seu, o governador de São Paulo, João Dória, dando xeque em Jair Bolsonaro a ponto de ser aplaudido nacionalmente até por setores da esquerda, num tremendo equívoco.

Após o episódio da aprovação da vacina contra o coronavírus, em que Dória deitou e rolou numa jogada de marketing deixando tonto o Palácio do Planalto, sentiu-se um notório enfraquecimento de Jair Bolsonaro. O presidente silenciou, sua equipe recolheu-se a sua insignificância e, mais tarde, saberemos com mais precisão o desfecho destes fatos quanto à imagem do presidente.

Num cenário deste, em que se vislumbra pouca chance de a esquerda retomar o poder, naturalmente que Jair Bolsonaro perde fôlego e apelo popular, o que tem grande influência sobre o desdobramento de um pedido de impeachment.

Um governante fortalecido na opinião pública dificilmente sofre um impeachment.

E então, qual seria o mais prudente: arriscar o impeachment, apelar por uma eventual (e pouquíssimo provável) pedido de renúncia presidencial, ou esperar para destronar o Messias pela via das urnas?

A coluna aposta em que a terceira opção seria mais segura.

Por Wellington Farias

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