O pano de fundo para Netanyahu e Trump decidirem atacar o Irã

Benjamin Netanyahu e Donald Trump Foto: EFE/EPA/JIM LO SCALZO / POOL
Em participação no Pleno Time desta quinta-feira (5), o cientista político e especialista em Oriente Médio André Lajst afirma que o atual conflito envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos não pode ser entendido apenas pelos acontecimentos mais recentes. Segundo ele, é necessário olhar para uma sequência de eventos que remodelou o equilíbrio de forças no Oriente Médio nos últimos ano.
De acordo com Lajst, o ponto de partida da atual escalada foi o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. Para ele, a ação foi um erro estratégico grave do grupo e de seus aliados regionais.
– O ataque do Hamas foi talvez o pior erro de cálculo da história militar moderna – afirma.
Segundo o analista, o plano do grupo, apoiado financeira e politicamente pelo Irã, era provocar uma reação em cadeia na região que enfraquecesse Israel. A expectativa seria que outros grupos armados entrassem no conflito e que divisões internas dentro de Israel levassem a uma crise política profunda.
O resultado, porém, foi o oposto. Israel respondeu com uma ofensiva que eliminou grande parte da liderança do Hamas e enfraqueceu significativamente o grupo na Faixa de Gaza. Ao mesmo tempo, outro aliado do Irã na região, o Hezbollah, também sofreu fortes perdas após se envolver no conflito.
– O Hezbollah era o grupo terrorista paramilitar mais poderoso do mundo, com dezenas de milhares de combatentes e milhares de mísseis. Mas essa estrutura também foi sendo sistematicamente atingida – disse.
Lajst afirma que a guerra teve impacto geopolítico mais amplo e acabou desestabilizando aliados do Irã. Um exemplo foi a queda do regime de Bashar al‑Assad na Síria após a retirada de forças do Hezbollah que atuavam no país.
Segundo ele, esse processo deixou o Irã mais isolado na região.
– No momento em que o Irã se vê sem o Hezbollah como principal escudo militar e sem a Síria como aliado estratégico, ele passa a agir de forma mais agressiva.
Lajst explica também que, diante do impasse diplomático, Estados Unidos e Israel passaram a considerar uma ação militar mais ampla contra o regime iraniano. Negociações chegaram a ocorrer paralelamente, mas sem avanço.
– Os americanos sabiam que o Irã dificilmente aceitaria as exigências feitas – como parar o enriquecimento de urânio, enviar o material nuclear para fora do país e encerrar o financiamento a grupos armados na região – apontou.
Sem acordo, os governos de Donald Trump e Benjamin Netanyahu teriam então avançado no planejamento de uma operação militar, que culminou no ataque realizado no último sábado (28).
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