O BC (Banco Central) passou a estimar um crescimento de 4,6% da economia brasileira em 2021, alta de 1 ponto percentual em relação à projeção anterior. O percentual foi divulgado no Relatório Trimestral de Inflação. Eis a íntegra (2 MB).

No penúltimo documento, de março, a autoridade monetária estimava em 3,6% o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano.

De acordo com o BC, a melhora na projeção repercute o resultado acima do esperado no 1º trimestre do ano, quando a economia brasileira subiu 1,2%. Destacou que, apesar do “recrudescimento” da pandemia de covid-19, a economia tem demonstrado recuperação. Citou também os seguintes fatores:

  • recuperação parcial da confiança dos agentes econômicos;
  • medidas de preservação do emprego e renda;
  • prognóstico de avanço da campanha de vacinação contra a covid;
  • aumento dos preços da commodities;
  • efeito defasados do estímulo monetário.

O BC disse que o PIB deve ter um resultado próximo da estabilidade no 2º trimestre do ano, e crescimento ao longo do 2º semestre.

A autoridade monetária não descartou, porém, as incertezas do cenário. Disse que o surgimento ou disseminação de variantes do coronavírus podem prejudicar o processo de retomada econômica. Também ressaltou que a dificuldade de obtenção de insumos e eventuais consequências da crise hídrica na bacia do Paraná para geração de energia são fatores que podem “atenuar o ritmo de recuperação da atividade“.

O Banco Central aposta na melhora da construção civil. Aumentou a estimativa de crescimento de 2,7% para 5,2% em 2021. Subiu também a estimativa de crescimento da agropecuária, de 2,0% para 2,5%. As revisões se devem ao bom desempenho no 1º trimestre do ano.

Serviços, o setor mais afetado da pandemia, passou de 2,8% para 3,8% a perspectiva para o crescimento neste ano. O Banco Central observa uma alta disseminada em todos os seguimentos, com exceção de “administração, saúde e educação públicas“.

A autoridade monetária afirmou que o comércio e os transportes surpreenderam positivamente no 1º trimestre, mesmo com a restrição no fluxo de pessoas e adoção de medidas de distanciamento social.

DEMANDA

O Banco Central também melhorou o desempenho dos componentes de demanda do PIB. Para o consumo das famílias, a perspectiva de crescimento subiu de 3,5% para 4%.

A maior alta dos componentes da demanda foi o FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), que aumentou de 5,1% para 8,1%. “A FBCF deve continuar sendo favorecida pelos efeitos defasados da política monetária estimulativa e pela recuperação da confiança de empresários. Preços elevados de commodities agrícolas e minerais e a safra recorde de grãos colhida no início de 2021 são estímulos adicionais para os investimentos, por meio da aquisição de máquinas e equipamentos pelo setor agrícola e pela indústria extrativa”, afirmou o BC.

A estimativa para o consumo do governo foi reduzida de uma alta de 1,2% para o crescimento perto da estabilidade de 0,4%. Houve uma surpresa negativa no 1º trimestre, que, segundo o BC, foi “associada à redução de serviços de saúde pública, como procedimentos cirúrgicos, em decorrência do aumento das internações por covid-19“.

O BC também elevou as expectativas de crescimento das exportações e importações, que passaram a ser 6,8% e 10,7%, respectivamente.

Poder360

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