Em uma sequência de publicações em seu Instagram, a deputada alemã Beatrix von Storch, líder do partido extremista AfD (Alternativa para a Alemanha), que tem notórias ligações com grupos neonazistas, e que é neta do ministro de Finanças do regime nazista de Adolf Hitler, fez uma série de elogios após encontro com Jair Bolsonaro (Sem partido), a quem classificou como “um homem marcado por profundas convicções, pela sua fé cristã e pelo seu profundo amor pela pátria”.

“Em contraste com o que a grande mídia retratou, ele é humilde, bem-humorado e amigável nas relações pessoais. O Presidente é sem dúvida um homem marcado por profundas convicções, pela sua fé cristã e pelo seu profundo amor pela pátria”, escreveu Beatrix nesta segunda-feira (26), após passagem pelo Brasil.

A líder da extrema-direita alemã ainda afirmou que ficou “profundamente impressionada” com a compreensão de Bolsonaro sobre os “problemas da Europa e os desafios políticos do nosso tempo”.

“Em uma conversa de uma hora, pude discutir a situação de nossas duas nações com o presidente. Fiquei profundamente impressionado com a compreensão que o Presidente tem dos problemas da Europa e dos desafios políticos do nosso tempo”, afirmou.

A deputada alemã também publicou uma foto ao lado de Eduardo Bolsonaro (Sem partido), que segura uma Bíblia que, segundo ela, fica na mesa diretora da Câmara.

“Valores comuns são a base para uma boa cooperação internacional. No plenário do parlamento, ao lado da cadeira do presidente do parlamento, está: a Bíblia”, escreveu.

Carteiro reaça
O encontro de Beatrix von Storch com o clã presidencial foi intermediado pelo deputado estadual Gil Diniz (Sem partido-SP). A reunião teria ocorrida na quinta-feira (22) fora da agenda oficial de Bolsonaro, que também não divulgou o encontro em suas redes.

Diniz, que ficou conhecido como “carteiro reaça” durante os atos em apoio ao golpe parlamentar de 2016, tem uma relação muito próxima com Eduardo Bolsonaro. Nas redes sociais, ele publicou foto ao lado da deputada alemã e do filho de Bolsonaro.

“Os conservadores estão se organizando cada vez mais pelo mundo e logo mais colheremos o fruto desse trabalho”, escreveu.

Críticas
O encontro de Bolsonaro com a neta de Lutz Graf Schwerin von Krosigk, ministro das Finanças de Adolf Hitler na Alemanha nazista, causou indignação em entidades e personalidades da comunidade judaica brasileira.

O coletivo Judeus Pela Democracia postou uma nota de repúdio em seus perfis nas redes sociais, relembrando que a deputada extremista já havia sido recebida por outras importantes figuras da base de apoio do governo federal.

“Pela 3ª vez em dias a VP do partido extrema-direita alemão aparece com governistas brasileiros: presidente da CCJ, filho do presidente e agora o PRESIDENTE DO BRASIL posam sorrindo e citando semelhanças com o partido xenófobo alemão. Sem rodeios: nazistas”, protestou o JPD.

A reportagem da Fórum entrou em contato com o presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Cláudio Lottenberg, pedindo para que comentasse o episódio. Ele limitou-se a encaminhar uma breve nota, falando pela entidade. O texto, no entanto, não menciona o nome de Jair Bolsonaro.

O historiador e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Michel Gherman, que é coordenador do Núcleo de Estudo Judaico da UFRJ, se indignou com a recepção presidencial a uma figura claramente ligada ao Nazismo e a organismos políticos ultrarreacionários na Europa.

“Bolsonaro saiu do armário. Ele continua mexendo com a bandeira de Israel e faz isso com dois sentidos. No primeiro deles é pra higienizar sua imagem, porque cada vez mais ele está se aproximando de antissemitas, como quem diz ‘não posso ser nazista, porque eu gosto de Israel’, mas há também uma segunda dimensão que é muito importante, que é a dimensão ideológica: Bolsonaro se aproxima do ‘Israel Imaginário’, que é daquele judeu branco, cristão, ultracapitalista e armado. E essa concepção de um judeu imaginário, de um Israel Imaginário, tem por objetivo excluir o judeu histórico. E cria essa coisa de que ele pode ser ao mesmo tempo antissemita e filossemita”, explica Gherman.

Fórum 

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