Neste domingo, a Alemanha registrou 20.200 novos casos e 321 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas.
 REUTERS – FABRIZIO BENSCH

Após o sucesso na gestão da pandemia no primeiro semestre, a Alemanha retorna a um lockdown na quarta-feira (16) semelhante ao que fechou a maior economia europeia entre março e abril deste ano. Desesperado, o ministro da Economia pediu para que população não corra às lojas para fazer compras de Natal.

As medidas restritivas impostas há seis semanas não conseguiram reduzir o ritmo de infecções do coronavírus e evitar um fim de ano marcado pela sombra do confinamento na Alemanha. O ritmo de contágios foi estabilizado num primeiro momento, mas começou a acelerar novamente a uma velocidade classificada como “dramática” pelas autoridades alemãs.

Tão dramática que levou o ministro alemão da Economia, Peter Altmaier, a fazer uma declaração no mínimo curiosa: ele pediu que os alemães não comprem mais presentes de Natal. Em entrevista ao jornal Bild, o ministro pediu que as pessoas não corram para as lojas nesses dois dias que restam até as restrições entrarem em vigor.

Teme-se que até quarta-feira os consumidores se aglomerem nas lojas, o que poderia resultar em um aumento ainda maior nos contágios. Por isso, políticos já começaram a pedir nesta segunda-feira (14) que o horário do comércio seja flexibilizado, para permitir que as lojas fiquem abertas durante toda a madrugada.

Muitos também questionam por que as novas regras não entraram em vigor já nesta segunda-feira. As autoridades respondem que as administrações regionais precisam realizar preparativos para que as medidas possam ser aplicadas.

De fato, as restrições em relação à pandemia não são definidas pelo governo federal, mas são da alçada dos governos regionais. Depois de terem sido coordenadas a nível nacional em reunião neste domingo (13) entre os governadores e a chanceler Angela Merkel, as medidas têm que ser encaminhadas e implementadas pelas administrações dos estados.

Até 10 de janeiro

A partir de quarta-feira (16), o comércio considerado não essencial – e serviços como cabeleireiros, escolas e creches –  ficam fechados no país, até pelo menos dia 10 de janeiro. O limite de pessoas para encontros continua em cinco membros de dois domicílios, sendo flexibilizado durante os feriados de Natal para uma família de um domicílio mais quatro pessoas de outros domicílios, sem contar menores de até 14 anos. O consumo de álcool em público foi proibido.

O Réveillon terá restrições adicionais: reuniões e aglomerações públicas são vetadas no Ano Novo, assim como a venda de fogos de artifício – tradição popular na virada de ano na Alemanha.

O crescimento das infecções já tinha levado os governos estaduais e federal a determinar o fechamento de academias de ginástica, teatros, cinemas e restaurantes desde novembro. Além disso, foi imposto um limite em reuniões sociais.

A mídia alemã apelidou a medida de “lockdown light”. A meta era tentar conter a disseminação do novo coronavírus para possibilitar as reuniões familiares no Natal, mas a estratégia não funcionou.

Segunda onda é pior que a primeira

Muitos alemães acreditam que as novas medidas restritivas chegaram tarde. Após uma estabilização inicial dos contágios obtida pelas restrições iniciadas em novembro, os números começaram a subir de forma alarmante, superando recordes anteriores e fazendo com que a segunda onda da pandemia tenha se tornado pior do que a primeira na Alemanha. O ponto alto foi na última sexta-feira (11), quando o país registrou quase 30 mil novos contágios e um recorde de quase 600 mortes em 24 horas.

Especialistas e autoridades de saúde alertaram para a situação nos hospitais alemães. A ocupação das Unidades de Terapia Intensiva começaram a chegar a um nível crítico, o que é especialmente preocupante num país que se orgulha de ter uma das maiores capacidades mundiais em UTI. A Alemanha chegou a receber pacientes em estado de outros países, como Itália e República Tcheca.

Na última quarta-feira (9), a chanceler Angela Merkel fez um apelo emocionado no Parlamento alemão, pedindo restrições mais rígidas. Em setembro, ela já havia avisado que se não fossem tomadas medidas mais radicais, o balanço diário de infecções chegaria a 19 mil. Quase um mês depois, a Alemanha registrava mais de  21 mil novos casos por dia. Ainda assim, alguns governadores se mostravam resistentes aos conselhos de especialistas, que insistiam em regras mais duras.

Após servir de exemplo mundial de luta contra a Covid-19 no primeiro semestre, a Alemanha baixou a guarda nos últimos meses e se perdeu diante do falso sentimento de segurança da população e em meio a discórdias entre seus líderes regionais. No entanto, o momento que todos queriam evitar a todo custo no país chegou: o Natal e o Ano Novo ocorrerão sob a sombra do distanciamento social.

Noticiário francês 

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