“Nacionalismo das vacinas coloca vidas em perigo”, diz presidente da Comissão Europeia


Em seu discurso anual em frente ao Parlamento, Von der Leyen falou sobre o perigo “do nacionalismo das vacinas.”
 POOL/AFP/File

Em seu discurso anual sobre a União Europeia, diante do Parlamento europeu nesta quarta-feira (16), a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, disse que a cooperação em matéria de saúde pode salvar os Estados, em um momento em que as pesquisas envolvendo uma imunização “são alvo de concorrência em escala mundial.” A representante da UE ainda abordou questões polêmicas do bloco, como o Brexit, a imigração, a crise com a Turquia e o racismo.

De acordo com Von der Leyen, “diante da crise que o mundo enfrenta, descobrir uma vacina não é suficiente. Devemos nos assegurar que os cidadãos europeus e do mundo inteiro tenham acesso. Ninguém estará em segurança até que nós todos estejamos em segurança”, declarou ela. A Europa registra um rápido aumento do número de casos, o que preocupa as autoridades, com a chegada do outono no hemisfério norte.

Imigração e Brexit

A presidente da Comissão Europeia também pediu que todos os Estados-membros da UE intensificassem seus esforços na questão migratória, acrescentando que o continente, globalmente,  deve “fazer sua parte” e “agir” diante da situação dos refugiados do acampamento grego em Moria, que foi incendiado.

“As imagens do acampamento de Moria nos lembram que a Europa deve agir unida. A migração constitui um desafio europeu e é o conjunto dos países da Europa que deve fazer sua parte”, insistiu.

Para dar ênfase à posição do bloco europeu sobre isso, ela citou as declarações da ex-primeira-ministra britânica Margareth Thatcher em 1975. “O Reino Unido não deve violar os seus tratados. Isso seria ruim para a Grã-Bretanha, ruim para as relações com o resto do mundo e para os futuros tratados comerciais.” De acordo com Van der Leyen, esse posicionamento de Thatcher também deve valer para a realidade atual.

“A confiança é o fundamento de toda parceria sólida”, declarou, em reação ao projeto de lei do Reino Unido que revê, em parte, os compromissos assumidos no acordo sobre o Brexit, em particular nas negociações que envolvem o protocolo destinado a evitar o retorno de uma fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte. “A UE e o Reino Unido acreditam que essa é a melhor maneira de assegurar a paz na Irlanda, e não voltaremos atrás.”

Von der Leyen também falou sobre o risco de um “no deal” no acordo sobre a relação entre a UE e os britânicos depois do Brexit, que ambas as partes tentam concluir antes do final do ano, quando o Reino Unido cessará de aplicar as normas europeias.

Situação com a Turquia

A presidente da Comissão Europeia também alertou a Turquia contra qualquer tentativa de intimidação dos países vizinhos no conflito sobre o gás que opõe o país à Grécia na parte oriental do Mediterrâneo.

“A Turquia é e sempre será um vizinho importante. Somos e sempre seremos geograficamente próximos, mas a distância entre nós parece crescer cada vez mais”, disse. “Sim, a Turquia está situada em uma região problemática e recebe milhares de refugiados, e para isso nós lhe enviamos uma ajuda financeira considerável.  Mas nada justifica as tentativas de intimidação de seus vizinhos.”

A Grécia e a Turquia disputam áreas no Mediterrâneo potencialmente ricas em gás natural. A tensão se agravou no fim de agosto quando os dois países efetuaram manobras militares na região. “A desescalada no Mediterrâneo oriental é nosso interesse mútuo”, continuou. A França declarou em agosto passado seu apoio à Grécia enviando navios de guerra e aviões de combate à região. O tema deve ser debatido em uma cúpula nos dias 24 e 25 de setembro.

Clima e racismo

A representante da Comissão Europeia também anunciou que apresentaria um “plano de ação contra o racismo e os crimes de ódio, motivados pela raça, religião e gênero”. Segundo ela, chegou a hora de construir uma “União Europeia antirracista.”

Diante dos eurodeputados, Von der Leyen, que fez do “Green Deal”, um dos pilares do seu mandato, anunciando que gostaria de aumentar o objetivo de redução das emissões de gases poluentes até 2030 na UE, atualmente fixado em menos 40%, a menos de 55%. em relação aos níveis de 2030.

Texto por:RFI

Noticiário Francês 

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