Aureni foi morta pelo próprio filho, enquanto regava plantas no quintal de casa
(foto: Material cedido ao Correio)

Manhã de sábado. Como de costume, Aureni Constância de Souza Rodrigues, 48 anos, acordava todos os dias pela manhã para regar as plantas no quintal de casa. Em mais uma atividade rotineira, a mulher foi atacada pelo próprio filho, Reinan Rodrigues de Souza, 22, enquanto estava de costas jogando água nas rosas.

A copeira foi brutalmente assassinada com golpes de faca, garfo e martelo. O crime aconteceu em Águas Lindas de Goiás (GO) — distante cerca de 51km de Brasília. O acusado está preso. Aureni será sepultada na tarde desta segunda-feira (17/5), no Cemitério de Brazlândia.
Renato de Souza, sobrinho da vítima, diz não acreditar no que aconteceu(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Renato de Souza, sobrinho da vítima, diz não acreditar no que aconteceu(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)

A reportagem esteve no local do crime e conversou com vizinhos e um familiar da vítima. Renato de Souza, 42, é sobrinho de Aureni e mora a poucos metros da residência da tia. No dia do crime, ele havia deixado o filho em um curso e voltou pouco tempo depois para a casa, quando estranhou a movimentação e a correria na rua. “Quando eu entrei dentro da casa dela, ele (Reinan) tinha tirado a roupa manchada de sangue e estava só de cueca esperando a chegada da polícia, como se nada tivesse acontecido. Minha tia estava muito machucada, com o corpo estendido no fundo da casa. Foi uma cena terrível”, detalhou.

O acusado teria confessado ao tio o plano dele. Depois de matar a mãe, Reinan iria assassinar a irmã, de 13 anos, e o pai seria morto assim que chegasse do trabalho, à noite. Por fim, o jovem afirmou que iria tirar a própria vida. “Ele estava irreconhecível. Falava a todo momento que era deus e que os outros eram demônios. A gente fica com muito ódio na hora, mas o certo é pagar o mal com o bem. Não iria cometer mais um crime”, disse Renato.
Reinan Rodrigues de Souza alegou aos policiais que ouviu 'uma voz satânica' pedindo para que ele matasse a mãe
Reinan Rodrigues de Souza alegou aos policiais que ouviu ‘uma voz satânica’ pedindo para que ele matasse a mãe
Natural de Serra Dourada (BA), Aureni chegou em Goiás em 1990 com outros cinco irmãos e, desde então, morou em Águas Lindas de Goiás com os dois filhos e o marido. Alegre, divertida e pessoa amiga. Essas são as lembranças que a copeira vai deixar. “Acolhia a todos muito bem na casa dela. Era uma pessoa carinhosa, que tratava todo mundo bem”, lamentou o sobrinho.
Vizinha há mais de 14 anos de Aureni, a confeiteira Joaquina Melo, 36, contou que a comunidade está em choque com a barbaridade. “Víamos ele (Reinan) o dia inteiro aqui e jamais pensávamos que ele pudesse ser capaz de fazer alguma coisa do tipo. A vida da minha amiga era limpar a casa, olhar os meninos, trabalhar e ir para a igreja. Estamos em choque. Isso tudo foi muito pesado”, relatou, emocionada.
O crime
Aureni Constância foi atingida com golpes de martelo e esfaqueada em seguida. O filho alegou aos policiais que escutou “uma voz” pedindo para que ele matasse a mãe. “Depois, com a mãe já caída no chão, ele a atacou e a atingiu contra sua região torácica, usando de peso usado para fazer musculação, do tipo barra fixa para supino”, afirmou, ao Correio, o delegado à frente do caso, Cléber Martins, titular da 17ª DRP de Águas Lindas.
A irmã de Reinan acordou assustada com os barulhos e viu o momento em que o jovem agredia a mãe. A adolescente tentou salvá-la, mas foi esganada e asfixiada pelo irmão. “Ela conseguiu se desvencilhar e saiu em busca de socorro, acionando vizinhos e a polícia, que chegou ao local e o prendeu”, detalhou o investigador.
Preso, o homem confessou que tinha a intenção de atear fogo contra o corpo da própria mãe e enterrá-la em uma cova que ele havia preparado no quintal de casa. Reinan foi conduzido à Delegacia de Polícia de plantão e autuado pela prática dos crimes de homicídio doloso qualificado consumado (qualificadoras do uso de recurso que impediu a defesa da vítima e feminicídio) e tentativa de homicídio qualificado (feminicídio tentado).
Estado de Minas 

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