O futebol brasileiro perdeu nesta segunda-feira (14) um dos grandes nomes de sua história. Ubiratã Silva do Espírito Santo, o Bira “Burro”, não era precisamente um craque daqueles habilidosos em campo e não chegou a vestir a camisa da seleção, mas certamente ficou na memória daqueles que cresceram assistindo os campeonatos das décadas de 1970 e 1980, época em que Bira se consagrou como um dos mais impiedosos artilheiros do futebol nacional. Bira, que tinha 65 anos, faleceu depois de anos de luta contra um câncer.

O ex-atacante residia em Belém, no Pará, estado em que conquistou sua primeira idolatria no futebol.  O Paysandu foi o primeiro clube de Bira no Pará, mas não foi a torcida do Papão que ele conquistou com gols. Bira ganhou notoriedade a nível nacional com a camisa do Remo, clube que defendeu em três passagens, de 1977 a 1979, 1985 e 1988, quando se aposentou.

Período suficiente para se tornar um dos cinco maiores artilheiros da história do clube e se sagrar tricampeão paraense. Assim, depois de boas participações pelo Remo no Brasileirão, em anos que figurou entre os cinco principais artilheiros do campeonato, o atacante trocou o Norte pelo Sul.

Chegou em Porto Alegre como “burro” para defender o poderoso bicampeão Internacional, que antes havia contado com artilheiros como Flávio Minuano e Dadá Maravilha. Bira não decepcionou. Pelo Colorado, Bira fez gols importantes para o título de 1979, e fez também uma grande temporada no ano seguinte, quando o clube cairia nas semifinais.

O atacante ainda teve uma passagem pelo Atlético Mineiro, onde foi campeão estadual, e rodou por diversos outros clubes, inclusive com carreira internacional, no México. O “burro”, a loba de Roma e o motorádio Você pode estar se perguntando, de onde saiu o apelido de “burro”? Bira fez parte do folclore brasileiro e acumula contos populares atribuídos ao seu nome.

Duas das histórias mais famosas são a de Lupa Capitolina, a loba que segundo a história teria alimentado Rômulo e Remo. Bira, certa vez, teria dito que sonhava em conhecer a capital italiana para conhecer a loba que teria alimentado Romeu e Julieta. Outra história famosa de Bira é de quando ele foi premiado como o craque de uma partida.

O atacante foi presenteado com um motorádio, um tipo de rádio popular na década de 1970. Questionado pelo repórter o que faria com a premiação, Bira respondeu que “a moto vou dar para meu pai e o rádio para a minha mãe”. Fora esses contos populares, porém, Bira tinha a própria versão dos fatos.

De acordo com o próprio ex-atacante, ele recebeu esse apelido ao escolher defender o Inter e não o Flamengo de Zico quando deixou o Remo. Bira conta que mal sabia assinar o próprio nome e não deu importância para o fato na época, que depois nunca mais conseguiria se desvencilhar.

No final das histórias, o “burro” nunca fez parte da história de Bira em campo, perspicaz como poucos para balançar as redes.

O Gol 

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