Ao assumir o Departamento de Estado dos EUA, Schultz dedicou-se a melhorar a relação com a União SoviéticaReprodução/BerkleyUniversity

George Shultz, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos e principal estrategista por trás dos acordos que levaram ao fim da Guerra Fria, morreu no sábado (6.fev.2021), aos 100 anos. A informação foi divulgada no domingo (7.fev.2021) pelo Hoover High School, onde Shultz lecionou e contribuiu durante anos com análises de relações internacionais.

Em 1955, o economista passou a integrar o quadro de Conselheiros Econômicos do presidente Dwight Eisenhower. Ele foi então nomeado secretário do Trabalho e do Tesouro por Richard Nixon. Em 1982, foi nomeado secretário de Estado por Ronald Reagan, com quem trabalhou por 6 anos.

Quando assumiu o Departamento de Estado, os EUA e a União Soviética não tinham relações há anos.

Em 1985, quando Mikhail Gorbachev assumiu o Partido Comunista da União Soviética, Shultz decidiu ir a Moscou para o funeral de Konstantin Chernenko, onde conheceu Gorbachev e viu possibilidade de boas relações. [Ele] é totalmente diferente de qualquer líder soviético que já conheci”, disse Shultz.

A aproximação com Gorbachev chocou-se com o profundo ceticismo do secretário de Defesa Caspar Weinberger e do chefe da CIA Bill Casey, mas Reagan os ignorou e deu total liberdade a Shultz.

Em 1987, Reagan e Gorbachev assinaram o histórico Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário. A União Soviética logo começou a se desintegrar depois que Gorbachev começou reformas liberais.

O acordo abriu caminho para sucessivos pactos para reverter a corrida armamentista.

George Shultz será lembrado como um dos mais importantes secretários de Estado de nossa história”, afirmou Condolezza Rice, que liderou a diplomacia norte-americana durante a presidência de George Bush.

Durante as eleições de 2016, tanto Shultz quanto Henry Kissinger, o outro personagem-chave da diplomacia durante o século 20, ambos republicanos, recusaram-se a apoiar um candidato presidencial. Em sua vida posterior à política, Shultz tornou-se particularmente interessado nos desafios estratégicos colocados pelas mudanças climáticas e tentou em vão convencer a administração Trump a não abandonar o Acordo de Paris.

Poder360

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