O presidenciável Sérgio Moro, do Podemos, teve uma passagem bastante produtiva pela Paraíba na quinta e sexta-feira. Para alguém que viria ao Estado para um punhado de compromissos com a imprensa e uma festa de aniversário, ele rendeu muitas manchetes. Já quando desembarcou, enfrentou uma vaia no Aeroporto Castro Pinto. Em um edifício no Bessa, outra manifestação de repúdio. Bolsonaristas e esquerdistas não suportam Moro. Os aliados do presidente porque se ressentem de que o ex-juiz não tenha se contentado em ser coadjuvante de um governo bizarro. Já os simpatizantes da esquerda, o culpam de ter tirado Lula da eleição e aberto caminho para Bolsonaro.

Na Paraíba, Moro saiu-se muito bem nas entrevistas. Pareceu até ter sido treinado por um fonoaudiólogo. A forma de falar está mais fluida e compreensível. E quanto ao conteúdo, ele soube se apresentar como um candidato conservador, defensor da família tradicional, da religião, contra a corrupção e sintonizado com interesses liberais: em prol de privatizações, pelo fim da estabilidade no serviço público, pelo fim da Empresa Brasileira de Comunicação e por aí vai.

Apesar disso, prometeu manter o Auxílio Brasil caso seja eleito. Adicionando a isso a promessa de implementar políticas públicas capazes de tirar parte da população da pobreza, sem dizer como faria esse milagre. Além disso, lembrou que o desenvolvimento virá quando o Brasil tiver uma imagem mais confiável no exterior, numa alfinetada direta ao atual presidente que se mete em enrascadas internacionais gratuitas. Moro fez questão de destacar que sua atuação na Lava Jato lhe rendeu reconhecimento como um dos 100 mais influentes citados na revista Times, e uma das 50 personalidades da década no Financial Times.

Aqui no Brasil, apesar disso, todos que ele prendeu foram postos em liberdade. As sentenças da Lava Jato foram anuladas e Sergio Moro foi considerado parcial pelo STF.

Sergio Moro não está nem aí para o que ele chama de revezes e levou a sério a condição de terceira via que as pesquisas já lhe conferem e quer crescer. É uma ousadia para quem nunca disputou nenhum cargo público. Mas, ele atrai a simpatia de muitos que votaram em Bolsonaro e hoje estão arrependidos. É o suficiente para lhe posicionar com destaque na opinião pública. Pode, inclusive, ameaçar o próprio presidente que enfrenta uma queda constante em sua popularidade. Moro é educado, tem juizo e pode surpreender até porque os adversários ele conhece muito bem. Um ele ajudou a derrubar. O outro, ajudou a construir e depois se arrependeu.

ParlamentoPB

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