Foto divulgada pelo Ministério da Defesa iraniano, com o caixão coberto pela bandeira do Irã e a foto do cientista Mohsen Fakhrizadeh, assassinado.
 AP

Uma metralhadora controlada por satélite, com ajuda de inteligência artificial, foi usada para matar o físico nuclear iraniano Mohsen Fakhrizadeh, assassinado em 27 de novembro. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (7) pelo contra-almirante Ali Fadavi, representante do governo iraniano.

O cientista estava em uma estrada, com uma equipe de segurança formada por 11 Guardiães da Revolução, quando a metralhadora disparou 13 vezes contra seu rosto.  A morte de Fakhrizadeh gerou novas tensões entre o país e Israel e levou os parlamantares iranianos a pedirem a interrupção das inspeções da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) nas centrais nucleares do país.

O governo iraniano disse que não cumpriria mais as exigências do acordo nuclear assinado com as potências ocidentais em 2015, principalmente depois da retirada dos Estados Unidos, em 2018.

O Irã informou nesta segunda-feira (7) Agência Internacional de Energia Atômica que vai instalar em breve três novas centrífugas do tipo IR-2m em sua central em Natanz, mas as obras foram probibidas pelo acordo nuclear de 2015.

A França, a Alemanha e o Reino Unido pediram ao Irã que não coloque em prática as medidas para acelerar suas atividades nucleares, para “preservar um espaço para a diplomacia.”

Irã acusa Israel

As autoridades iranianas acusaram Israel e os Mujahedines do Povo, grupo opositor proibido no Irã, pelo assassinato. A arma, colocada sobre uma caminhonete, “concentrou-se apenas no rosto do mártir Fakhrizadeh, de tal forma que sua mulher, que estava a apenas 25 centímetros, não foi atingida por nenhum tiro”, disse Fadavi.

A arma era “controlada pela internet” via satélite e usou uma “câmera sofisticada e inteligência artificial” para encontrar seu alvo, explicou Fadavi. Segundo ele, o chefe da segurança do cientista levou quatro tiros “quando se jogou sobre ele” para protegê-lo. “Não havia nenhum terrorista no local.”

O Irã divulgou várias versões sobre a morte do cientista. O ministro da Defesa, Amir Hatami, indicou no início que ele havia sido vítima de um ataque com explosivos e um tiroteio e a agência oficial  de notícias Fars afirmou, dias depois, sem citar fontes, que havia sido usada uma “metralhadora automática teleguiada” colocada sobre uma caminhonete.

Israel denuncia ameaça

Na semana passada, o governo de Israel chamou a atenção sobre o “aumento” da “ameaça” contra seus cidadãos no exterior, após o chamado do Irã a vingar o assassinato de uma personalidade importante de seu setor nuclear, atribuída pelo governo iraniano ao Mosad, os serviços secretos israelenses.

“Diante das ameaças recentes de elementos iranianos, tememos que o Irã ataque objetivos israelenses”, alertou o ministro israelense das Relações Exteriores, Gabi Ashkenazi, que mencionou possíveis ataques contra seus cidadãos em países vizinhos do Irã ou na África.

As autoridades israelenses, citando um “aumento da ameaça terrorista contra israelenses no exterior”, referiram-se a países ou regiões como geograficamente “próximos” do Irã. Entre eles a Geórgia, o Azerbaijão, a Turquia, o Curdistão iraquiano, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein.

(Com informações da AFP)

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